09 de julho de 2026
Polícia

Boato do PCC põe presídios em alerta

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Notícias de fontes desconhecidas, blefes, chantagens e ameaças feitas por supostos integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) colocaram, mais uma vez, o sistema prisional do Estado em alerta. A mais recente delas, que circulou no último domingo, apontava para uma megarrebelião e matança de agentes no dia seguinte, ou seja, na segunda-feira, dia 19. Tudo não passou de blefe. Porém, a nova informação é que a data da megarrebelião teria sido transferida para o Dia dos Pais, segundo domingo de agosto.

As autoridades não confirmam, mas sabe-se que as datas comemorativas são os períodos mais críticos para as penitenciárias. Como a mais próxima é o Dia dos Pais, surgiram boatos de que na data pode ocorrer megarrebelião. Na opinião de um diretor de presídio da região de Bauru, que preferiu não ser identificado, as ameaças veiculadas através do correio eletrônico interno dos presídios têm um objetivo: tentar impedir que presos integrantes do PCC sejam transferidos para o presídio de Catanduvas, no Paraná, inaugurado na semana passada.

De acordo com a fonte ouvida pelo JC, o presídio federal adota o regime disciplinar diferenciado (RDD), que é mais rigoroso: o detento não tem contato com os agentes, toma banho de sol sozinho e está proibido de receber visitas, dentre outras regras. Para o diretor de presídio de Bauru consultado pela reportagem, os presos do PCC estão desarticulados e temem que Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola, que seria líder da facção, seja transferido para o presídio do Paraná, o que representaria um golpe muito forte contra o movimento.

Em função desse temor, os integrantes do PCC estariam ‘plantando’ informações para impedir a transferência do líder e seus membros. Porém, como não é possível saber o que é blefe e o que é real, as penitenciárias estariam em estado de alerta. Atualmente, Marcola está no presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes.

O Sindicato dos Trabalhadores Públicos do Complexo Penitenciário do Centro-Oeste Paulista, através da 1ª secretária Márcia Barbosa, disse que desconhecia os boatos de nova megarrebelião nos presídios do Estado de São Paulo. “Nós não recebemos nenhuma informação oficial sobre as ameaças”, disse. De acordo com ela, providências serão tomadas no sentido de apurar as informações e preservar a vida dos servidores do sistema prisional.

Na penitenciária 1 de Bauru, as atividades no dia 19, data que poderia ter ocorrido rebelião, segundo os primeiros boatos, foram normais, afirma o diretor José Carlos Pedroso. “A unidade é neutra. Nem mesmo na megarrebelião do Dia das Mães tivemos problemas por aqui”, frisa. Mas ele admite que recebeu o comunicado no dia 18. “Orientamos os funcionários a ter cautela, mas não suspendemos as atividades”, comenta.

Para ele, as informações sobre nova ação do PCC chegam a todo momento e é preciso ter relativa confiança nelas. “Temos que admitir que há oportunistas”, ressalta. O diretor da Penitenciária 2, Hélio Bonsaglia, classificou como boatos as informações de que estava programada nova megarrebelião no dia 19 e que ela teria sido transferida para o Dia dos Pais. “Sobre a matança dos agentes (boato de que eles seriam alvo do PCC em eventual nova ofensiva), fiquei sabendo pela imprensa. Eu não recebi nenhum comunicado. Aqui está tranqüilo”, completa.

O diretor do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru, Plínio Martins Moreira, não falou sobre o assunto. “A comunicação via rede eletrônica interna não pode ser divulgada”, explica-se.

SAP apura

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) do Estado de São Paulo divulgou nota oficial confirmando ter conhecimento das ameaças de nova megarrebelião. De acordo com a SAP, o caso está sendo apurado. O coordenador das unidades prisionais da região Noroeste, Antonio Paulo Veronezi, confirmou que a informação de magarrebelião e mortes de agentes estão sendo apuradas pela SAP. O comando da PM também recebeu a informação.

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Ameaças

A comunicação interna recebida nas 144 unidades prisionais do Estado de São Paulo, dava conta, dentre outras coisas, que os integrantes do PCC estariam recebendo ordens da Torre, comando da facção criminosa, para iniciar uma série de homicídios de servidores do sistema prisional e uma nova megarrebelião sem precedentes.

Também mencionou que todas as unidades onde houvessem membros do PCC seriam destruídas, caso a situação de Itirapina 2, Mirandópolis 2, Araraquara e Presidente Venceslau 2 não fossem amenizadas.