Bergisch Gladbach - O goleiro Dida, que foi capitão da Seleção Brasileira no último jogo, contra o Japão, pela ausência do lateral-direito Cafu, diz não dar muita bola para a faixa de capitão. “Quero que a Seleção vença o Mundial, e não ser o melhor goleiro da Copa ou o capitão do Brasil. Não podemos pensar em outros aspectos além de vencer as partidas e conquistar o título”, declarou Dida, com seu jeito calmo, falando baixo, numa entrevista coletiva após treino de ontem.
Dida é calado e não costuma falar com a imprensa. O próprio técnico Carlos Alberto Parreira, que passou a palavra ao goleiro, brincou: “vai, Dida, que agora você está pegando gosto em falar”. “Não gosto de ser o centro das atenções, prefiro ser eu mesmo. Todo mundo que me conhece sabe que eu gosto de fazer a minha parte. Não tenho essa vaidade de ser capitão ou outras coisas”, disse Dida, que atualmente joga no Milan, italiano.
O goleiro também comentou a inusitada liderança dentro do grupo, mesmo com sua tranqüilidade. “É um grupo grande, mas nós temos amizade e conhecimento de um bom tempo. Todo mundo me entende só no olhar -sou um cara que conversa muito fora do campo, com todos”, explicou.
“Tento passar a experiência do que eu aprendi para os meus companheiros”, continuou. Tendo participado de duas Copas do Mundo no banco de reservas, Dida foi paciente até conseguir a vaga de titular.
“Passar de segundo goleiro a capitão numa Copa do Mundo é realmente muito legal. Foi uma felicidade enorme para mim. Soube no vestiário que seria o capitão e fiquei muito satisfeito. A responsabilidade é maior”, disse o jogador, que desde a apresentação da seleção, em Weggis, já concedeu três entrevistas coletivas - recorde absoluto para sua timidez.
Pensando no adversário de terça-feira, Dida afirmou que será preciso tomar cuidado com os contra-ataques e com as divididas com os ganenses. “Eles jogam bastante atrás e com contra-ataque, fazem a bola chegar o mais rápido possível no campo adversário”.
Definitivamente a Copa da Alemanha tem sido especial para Dida. Enfim dono da camisa 1 - foi reserva de Taffarel em 1998 e de Marcos em 2002 -, o goleiro do Milan é o primeiro negro a defender a meta brasileira desde Barbosa, que participou do vice-campeonato de 1950.