Cabul - Forças do governo do Afeganistão e da coalizão liderada pelos EUA enfrentaram anteontem mais de 40 extremistas durante uma troca de tiros que durou cinco horas, perto da cidade de Mirabad, na Província de Uruzgan. Segundo fontes militares, a maior parte dos extremistas militantes - que estava oculta em bosques perto da cidade - morreu. Com mais este incidente, subiram para 82 o número de afegãos mortos pelas forças aliadas no país nos últimos dias.
Desse total, 25 militantes foram mortos por soldados em outro ataque após mais de três horas de combate no distrito de Zharie, na Província de Kandahar. “Vários extremistas usaram civis como escudos humanos para escaparem para vilarejos próximos”, apontou um membro das forças de coalizão.
Anteontem, a coalizão relatou que outros 17 insurgentes foram mortos quando um bunker foi destruído na Província de Uruzgan, na quarta-feira. Segundo os militares, os extremistas usaram o bunker para disparar contra os soldados na semana passada.
No mesmo dia, autoridades provinciais em Zabul afirmaram que os corpos decapitados de quatro homens, que haviam sido seqüestrados no início da semana, foram descobertos no distrito de Shahjoy, perto do vilarejo de Chinoh. Segundo a Associated Press, os homens teriam sido mortos pelo Taleban por serem espiões das forças de coalizão e do governo afegão.
As forças de coalizão lançaram nos últimos dias um ataque maciço contra as forças do Taleban para deter uma onda de emboscadas e ataques suicidas nos últimos meses. Mais de 10 mil soldados afegãos, britânicos, canadenses e norte-americanos estão distribuídos nas Províncias de Kandahar, Helmand, Uruzgan e Zabul - regiões em que as forças do Taleban desfrutam de mais simpatia junto à população.
O ministro da Defesa afegão disse anteontem que, desde que a operação teve início, 149 insurgentes foram mortos, 32 ficaram feridos e 61 foram presos. Três soldados afegãos foram mortos e 14 ficaram feridos. “Trata-se de uma das maiores operações do Sul do país”, disse um porta-voz.
Na quinta-feira, o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, havia criticado a violenta campanha antiterror da coalizão liderada pelos EUA ao afirmar que a morte de centenas de afegãos é “inaceitável” e que seu governo precisa de mais ajuda.
O Afeganistão atravessa a pior onda de violência desde que os EUA e seus aliados derrubaram o Taleban, há quatro anos. Cerca de 600 pessoas, na maioria supostos guerrilheiros, morreram desde maio.