07 de julho de 2026
Ser

Dia de princesa

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 4 min

A noite é cheia de glamour: no salão decorado, mesas enfeitadas com flores e velas, som ao vivo e serviço de buffet completo aguardam a chegada de familiares e amigos. Apesar de descrever uma típica recepção de casamento, a cena retrata outro grande acontecimento social, pelo menos na vida de muitas meninas: a festa de 15 anos.

Símbolo de transição da adolescência para a juventude, a comemoração, também conhecida como baile de 15 anos, é marcada pela tradição familiar e faz sucesso entre as garotas. Não raramente, a festa está na lista de desejos de muitas jovens, caso da estudante Juliana Godoy Nogueira Ferro, que completou seu 15.º aniversário no dia 20 de maio. “Quando tinha 5 anos, fui à um baile e me encantei. Desde então, dizia sempre aos meus pais que queria uma festa como àquela.”

Recentemente Juliana teve seu grande sonho realizado e conta com alegria todos os detalhes da comemoração. Foram mais de quatro meses de muita “correria”, diz Juliana. Juntamente com a mãe, a auxiliar de odontologia Alessandra Godoy Nogueira Ferro, ela fez questão de contratar o buffet, agendar horário no salão de beleza e escolher o vestido e as roupas dos 15 pares de amigos que dançaram a valsa.

Os convites foram feitos por um calígrafo. Bibelôs em formato de cisne foram escolhidos como lembrancinha e entregues aos convidados. “O cisne é o patinho feio que se tornou belo e representa a passagem da adolescência para a fase adulta”, comenta Alessandra.

A estudante Bianca Furlaneto Dias também comemorou seu aniversário de 15 anos em grande estilo. A festa, realizada no último dia 17, reuniu mais de 100 pessoas, entre amigos e familiares.

Assim como Juliana, ela dançou valsa com o pai e usou dois vestidos – um para recepcionar os convidados e outro para a hora da valsa. Feliz com a comemoração, ela afirma que nunca esquecerá a data. “Completar 15 anos é uma experiência única. Na festa pude reunir e curtir todas as pessoas que eu amo e que são muito queridas por mim.”

A mãe de Bianca, a professora Ana dos Santos Pereira, aprovou e sentiu-se muito satisfeita com a comemoração. “É a realização de um sonho que eu não tive”, revela. Ela destaca que se o perfil atual das festas muda de acordo com as gerações, o mesmo não se pode dizer do seu simbolismo. “Tanto faz ter 15 anos na década de 50 ou hoje. Seu significado é o mesmo em qualquer época. É o desabrochar da adolescência entrando para a juventude”, diz.

A festa de 15 anos da estudante Nathâni Thainá Ruiz Pereira, marcada para o dia 15 de setembro, também é marcada pela tradição familiar, conta sua mãe, a universitária Cristiane da Silva Ruiz Pereira. “Tive baile na minha época. Agora é uma volta ao passado”, diz. No momento da valsa, por exemplo, Nathâni entrará no salão com o vestido de casamento da sua mãe, mas usará ainda outros dois figurinos, antes e depois do baile. “Só não posso dizer mais porque será surpresa”, diz.

Assim como Juliana, Nathâni terá uma comemoração tradicional. Contratou um serviço de buffet para recepcionar os cerca de 400 convidados e dançará valsa acompanhada do pai e de 15 pares de amigos. Ansiosa, ela conta nos dedos a chegada do grande dia. “Sempre quis esta festa. É um sonho de infância”, diz. Enquanto aguarda o dia especial, passará um tempo viajando pela Inglaterra, presente de aniversário que ganhou de sua avó.

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Debutantes

Quando se tratam de festas de 15 anos, é comum relacioná-las aos Baile de Debutantes, evento tradicional e muito comum nos anos 50 e 60. Seu principal objetivo era apresentar as moças à sociedade, explica a empresária Sônia Rabello de Andrade Simão, que participou de diversos eventos do gênero.

Justamente por isso, aponta ela, não era regra debutar exclusivamente aos 15 anos. “As moças debutavam com 15, mas também com 16 ou 17 anos. E todas usavam vestidos longos e dançavam valsa”, diz.

Nessa época, o Bauru Tênis Clube (BTC), que completará 80 anos de fundação em agosto, foi palco de diversos Bailes de Debutantes, aponta a consultora de etiqueta social Glorinha Braga Ortolan. Segundo ela, que já foi diretora social do clube, elegância e glamour eram requisitos básicos da festa.

“O BTC era enfeitado com muitas flores para receber as debutantes. Ao som da Orquestra Tabajara ou Severino Araújo, por exemplo, as jovens valsavam com seus pais e depois com os namorados, como em um baile de formatura”, lembra.