07 de julho de 2026
Leonardo de Brito

Em Confiança

Leonardo de Brito
| Tempo de leitura: 4 min

PRIMEIRA FINAL

Contra Gana, que é uma incógnita, o Brasil trava, a partir do meio-dia desta terça-feira, a quarta batalha na Copa do Mundo de 2006. Quem vencer o confronto em Dortmund ficará de olhos bem abertos no duelo das 16h (também de Brasília) em Hannover. Lá, Espanha e França se enfrentam e o vencedor será o adversário de brasileiros ou ganenses. A seleção africana, dirigida por Ratomir Dujkovic, não se contentou apenas em classificar-se pela primeira vez a um Mundial. Gana conseguiu vaga histórica na Alemanha, ao eliminar a República Checa, que era uma das favoritas ao título. Gana é tricampeã da África, e nas categorias de base é presença constante em decisões. Mas a Seleção Brasileira nunca perdeu para os africanos em Mundiais, além de não tomar um gol sequer - quatro partidas e quatro vitórias. A primeira foi na Alemanha/74: Brasil 3 x 0 Zaire; no México/86, Brasil 1 x 0 Argélia; nos EUA/94, Brasil 3 x 0 Camarões e na França/98, 3 a 0 contra o Marrocos. A equipe de Parreira está indefinida para a pedreira de hoje. Robinho não se recuperou de uma lesão muscular e é desfalque. Quem deve ter respirado aliviado - em termos - é Adriano. O Imperador ficaria no banco de reservas caso Robinho não tivesse sofrido a contusão. Sem o velocista revelado no Santos, a dupla ofensiva deve ser formada pelas ‘Torres Gêmeas’ Adriano e Ronaldo. Meu palpite: os pentacampeões mundiais vencem hoje por 2 a 0. Sem favoritismo declarado e descartando show de bola. O que importa é a vitória. Afinal, daqui em diante cada jogo é uma decisão.

OLHO NELE

Gana não terá o meia Essien no jogo em Dortmund, mas os brasileiros devem ficar de olho no atacante Appiah, o Ronaldinho Gaúcho deles. Quase todas as principais jogadas do time africano passam pelos pés de Appiah, o capitão da Seleção Ganense.

PÊNALTI MADRAKE

No jogo mais sofrido das oitavas, a Itália conseguiu uma vitória dramática sobre a Austrália. Com um jogador a menos durante quase todo o segundo tempo, a Azzurra comemorou a classiicação como a conquista do título. Nas quartas-de-final, os italianos enfrentarão a Ucrânia. Para os australianos, ficou a indignação pela marcação do pênalti inexistente. Mas eles foram aplaudidos pela sua torcida e deixam a Copa do Mundo de cabeça erguida. Quanto ao jogo, maior posse de bola da Austrália e maior experiência, além da melhor qualidade técnica da Itália. Mas o pênalti foi mandrake, mesmo. Grosso tropeçou no soccero.

PARA A HISTÓRIA

O futebol do leste europeu, que sempre fez bonito, pelo menos deu muito trabalho aos adversários, vem sendo uma decepção na Alemanha. Croácia e República Checa foram eliminadas na primeira fase, enquanto a Ucrânia precisou contar com a sorte da loteria para avançar. Na primeira disputa de pênaltis desta Copa, a Ucrânia passou pela Suíça. Embora eliminados, os suíços entram para a história dos Mundiais, porque pela primeira vez, uma seleção deixa a competição sem sofrer gols.

OS HERMANOS

Torci para o México, mas a Argentina mereceu vencer. Foi melhor do que o bravo adversário e teve um gol legítimo anulado no finzinho do tempo normal. Já o gol de Maxi Rodriguez foi uma pintura, um pombo sem asa, o mais bonito da Copa até aqui. Agora os hermanos vão enfrentar os alemães, jogo que para muitos será uma final antecipada.

GRANDE PASSO

Portugal sofreu muito mas deu um passo de gigante na justa vitória sobre a Holanda. A exibição da equipe lusitana teve a cara de Luiz Felipe Scolari. Eu comentei nesta coluna de domingo, que time que conta com Felipão tem meio caminho andado. O jogo foi violento, porém bom e movimentado. As emoções vão continuar - digo, aumentar. A Inglaterra não tem jogado bem, mas Portugal terá dois ou três importantes desfalques.

COPA VIOLENTA

A atual Copa do Mundo da já é a mais violenta da história. Com as quatro expulsões no jogo Portugal 1 x 0 Holanda, domingo a festa máxima do futebol registra um recorde de 23 cartões vermelhos até aqui. A seleção mais violenta é a de Gana, a que mais cometeu faltas e também a que recebeu mais cartões. Antes, a Copa com mais expulsões havia sido da França/98, quando 22 vermelhos foram mostrados pelos árbitros.

MEMÓRIA

Copa do Mundo do México/70: Brasil 1 x 0 Inglaterra, em Guadalajara, gol de Jairzinho. Árbitro Abraham Klein (Israel). Público pagante: cerca de 68 mil. Brasil: Félix; Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Paulo César Caju; Jairzinho, Tostão (Roberto), Pelé e Rivellino. Técnico: Zagallo. Inglaterra: Banks; Wright, Labone, Boby Moore e Cooper; Mullery, Ball e Robert Charlton (Bell); Lee (Astle), Hurst e Peters. Técnico: Alf Ramsey.