Sobras de tecidos são matérias primas nas mãos das artesãs e estudantes Ana Moraes e Natasha Lamônica. Com linhas e agulhas, elas imprimem sentimentos e filosofia em peças leves e diferenciadas, que podem ser encontradas no Ateliê Ser do Bem, inaugurado há cerca de dois meses na cidade.
São vestidos, batas, saias, bolsas, cachecóis, camisetas e bijuterias feitas principalmente com algodão. “Nós visamos o conforto e a beleza. Por isso evitamos tecidos sintéticos e preferimos o algodão”, diz Natasha, que ainda pontua o princípio ecológico que norteia o trabalho no ateliê. “A todo lugar que vamos, procuramos costureiras e pedimos sobras de tecidos. É uma forma de reaproveitar os resíduos”.
Para cada peça, o tempo de produção pode variar de uma hora até uma semana. “São peças únicas, feitas com amor. Pensamos sobre cada detalhe. Às vezes, conseguimos fazer três peças em um dia, outras, ficamos uma semana trabalhando na roupa”, explica.
A inspiração vem de livros e da própria natureza. As roupas remetem à infância com a volta de saias rodadas, bordados e rendas. Letras de música e poesias também são adornos para as artesãs, que trocam canetas por agulhas e registram nas roupas as mensagens dos artistas. O músico Tom Zé é grande inspiração das estudantes, tanto que uma frase sua, “A felicidade é cheia de pano”, ilustra propriamente a fachada do ateliê.
Para o segundo semestre deste ano, os homens também poderão encontrar roupas no ateliê. “Por enquanto nossa produção é voltada para mulheres. Mas vamos fazer um curso no segundo semestre de costura masculina”, coloca Natasha.
Paralelamente à produção voltada para a etiqueta “Ser do Bem”, o ateliê desenvolve um trabalho de customização de roupas, vendidas no empório cultural Extinção (rua Cussy Júnior, 8-17). São tecidos comprados em brechós e remodelados pelas artesãs sob a etiqueta “Ser do Bem para Extinção”, que são vendidos no empório por um baixo custo.
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Mãos de arquitetas
A costura envolve Natasha desde a infância, mas foi apenas em 2001 que ela resolveu vender suas peças, após participar de um curso de costura oferecido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). “Quando aprendi realmente a costurar comecei a expor meus trabalhos na Feira de Artes e Artesanato Ubá, onde fiquei por dois anos”, conta.
Em 2003, Natasha ingressou no curso de arquitetura, urbanismo e paisagismo oferecido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), onde conheceu Ana. “Nossa idéia era montar uma república para trabalhar com bioarquitetura, mas a Ana se interessou por costura, aprendeu e decidimos montar um ateliê”, lembra.
O espaço foi escolhido a dedo e o local foi reformado e decorado pelas estudantes. “A maioria dos móveis pegamos em ferro velho e restauramos. A pintura interna também é nossa, apenas o teto e o grafite da fachada foram feitos por profissionais”, diz.
Atualmente, as duas estão no terceiro do curso de arquitetura e não pensam em abandonar a profissão. No local, além da confecção e da venda das roupas, as estudantes desenvolvem um projeto que trabalha o meio ambiente com a terceira idade, chamado Idade Verde, realizado em parceria com a Unesp; e pretendem inaugurar um escritório de arquitetura. “Somos apaixonadas por arquitetura. Queremos continuar nessa área, sempre norteadas pela bioarquitetura e pela permacultura, que são formas de trabalho de respeito à vida e ao meio ambiente”, finaliza.
• Serviço
O Ateliê Ser do Bem fica na rua Saint Martin, 16-34. O horário de funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 18h às 21h, e aos sábados, das 9h às 19h. Mais informações: (14) 9713-7483 e (14) 8111-5714.