O coro pedindo que o vice-prefeito de Bauru, Renato Purini, deixe o cargo de presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb) ganhou mais vozes na Câmara Municipal.
Vereadores alegam que a manutenção de Purini à frente da Emdurb seria um erro grave do prefeito Tuga Angerami (sem partido), já que, para os parlamentares, o vice-prefeito não tem mais condições de se manter no cargo depois que confirmou a reunião em São Paulo com representantes da empreiteira Marquise, que teria doado até R$ 400 mil, não contabilizados, para a campanha da aliança Tuga-Purini.
Os pedidos para que Purini deixe a presidência da Emdurb começaram há duas semanas, quando o vereador João Parreira (PSDB) afirmou que Purini não poderia continuar no cargo, por ter sido ele quem propôs que a Marquise fosse contratada em regime de emergência para fazer a coleta de lixo na cidade, apenas 15 dias depois da posse.
Na sessão de ontem outros vereadores se manifestaram favoráveis à saída de Purini. Para Marcelo Borges (PSDB), a permanência do vice-prefeito como presidente da Emdurb ficou insustentável. “Ele (Purini) tem relacionamento com a Marquise e com quem denunciou o caixa dois. Não pode ficar no cargo”, argumentou.
O tucano afirmou que a saída de Purini seria um fator “tranqüilizador” para que as investigações sobre o suposto caixa dois transcorram normalmente. No entanto, Borges não acredita que o vice-prefeito peça demissão, por isso cobrou do prefeito Tuga Angerami (sem partido) que exonere o presidente da Emdurb. “É do prefeito a responsabilidade política de exonerar o Purini”, frisou.
A expectativa do parlamentar é que antes da realização da audiência pública o prefeito já tenha exonerado Renato Purini do cargo. “Eu espero que quando o Purini vier a esta Casa, ele não seja mais o presidente da Emdurb”, disse.
Borges salientou novamente que não há elementos para a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), além de não ser benéfico para a cidade a instauração da comissão. Contudo, o parlamentar destacou que se for necessário, a Câmara não vai fugir da responsabilidade. “A cidade não quer mais uma CEI, mas se for necessário, vamos pedir”, afirmou.
Outro vereador que defendeu a exoneração do vice-prefeito foi Primo Mangialardo (PV). Ele sustenta que Purini não pode se manter no cargo depois de confirmar que manteve contatos com a empreiteira Marquise durante a campanha, e 15 dias depois de assumir a Emdurb tentou entregar a coleta de lixo de Bauru para a empresa. “O prefeito tem que exonerar o senhor Renato Purini”, declarou.
O vereador Benedito da Silva, o Benê (PSDB), também disse ser favorável à saída de Purini da presidência da Emdurb. No entanto, para ele, o prefeito não vai “ter peito” exonerar o vice. Para Benê, o vice-prefeito tem mais cartas na manga para apresentar, que comprometeriam Tuga Angerami. “Ele (Tuga) não vai exonerar o rapaz da Emdurb, porque está com o rabo preso”, ressaltou.
A reportagem tentou entrar em contato com o presidente da Emdurb, Renato Purini, para comentar as declarações dos vereadores, mas ele não foi encontrado até o fechamento desta edição.