Assim que assumiu a presidência nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), há menos de um mês, o eletricitário Artur Henrique Silva Santos “herdou” a mobilização dos trabalhadores para tentar impedir o leilão da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep), marcado para amanhã. Os sindicalistas organizam uma mobilização em frente à Bolsa de Valores de São Paulo, onde o leilão será realizado. Também estão entre suas principais metas o fim das privatizações e o aumento do nível de emprego no País.
Em Bauru, os trabalhadores da Cteep começaram ontem uma greve por tempo indeterminado. Uma caravana organiza-se para seguir até a Capital do Estado e engrossar o movimento, amanhã.
Em sua passagem por Bauru, ontem, Santos esteve no Jornal da Cidade. O sindicalista assumiu a CUT em substituição ao professor João Felício. Santos recebeu 69% dos votos dos 2,5 mil delegados que compareceram ao nono congresso nacional da CUT.
Entre seus grandes desafios até 2009, tempo em que ficará à frente da central, Santos enumera metas para diminuir as privatizações em todo o País e garantir emprego aos trabalhadores, através de propostas e reivindicações levadas ao governo. Apoiando a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o sindicalista acredita que os próximos quatro anos serão decisivos para o futuro dos trabalhadores. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.
Jornal da Cidade - Quando o senhor assumiu, o leilão da Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (Cteep) já estava marcado. Como os trabalhadores estão se articulando para tentar impedir a venda?
Artur Henrique Silva Santos - As ações são jurídicas, na tentativa de anular ou suspender o leilão, combinadas com ações políticas e de mobilização. Temos o envolvimento dos deputados da Assembléia Legislativa do Estado aliado com o dos trabalhadores da Cteep, que decretaram greve por tempo indeterminado em São Paulo. Pretendemos fazer um grande ato na quarta-feira, na Bolsa de Valores, que vai envolver o conjunto das coordenações dos movimentos sociais. Já tivemos várias empresas privatizadas em São Paulo e, infelizmente, o valor das tarifas de energia aumentou e houve queda acentuada na qualidade de serviços. Se dizia que a empresa de transmissão de energia elétrica era um setor que não poderia ser privatizado porque ficava entre a geração e a distribuição da energia gerada pelas usinas. Agora, o que estamos assistindo é o governo colocar à venda mais um patrimônio público.
JC - A CUT tem aproximadamente 3.264 sindicatos filiados e 7 milhões de trabalhadores sindicalizados. Nos próximos anos que o senhor estará à frente da CUT, quais são os principais desafios?
Santos - O primeiro é esse de tentar sensibilizar a sociedade dos vários projetos que estão em disputa na política. De um lado estão as privatizações, e do outro, a manutenção dos patrimônios públicos. A privatização, da qual somos contra, significa a criminalização dos movimentos sociais. Outro desafio é a implementação de uma plataforma dos trabalhadores no segundo mandato do governo Lula. É um conjunto de ações e propostas que nós vamos utilizar para mobilizar os trabalhadores e pressionar o governo.
JC - Quais ações estão na pauta?
Santos - Temos, por exemplo, a redução da jornada de trabalho sem a redução de salário; uma reforma sindical que caminhe no sentido de liberdade e autonomia sindical; uma proposta de ampliação do Conselho Monetário Nacional para que tanto trabalhadores quanto empresários possam ter representantes (neste órgão). Não dá mais para ter um conselho que decide a taxa de juros apenas composto por três pessoas: o presidente do Banco Central, o ministro do Planejamento e o ministro da Fazenda.
JC - O senhor acredita que o problema maior é manter o emprego dos trabalhadores ao abrir novos postos de trabalho?
Santos - Precisamos, na verdade, ter uma política de juros e superávit primário consistentes para que possamos ter mais empregos sendo criados. Hoje, infelizmente, o trabalhador luta para manter o seu emprego e aqueles que estão saindo da universidade buscam o primeiro emprego. Acreditamos que uma queda mais acentuada da taxa de juros vai possibilitar um maior número de empregos sendo gerados no Brasil.
JC - O aumento da violência também afeta os trabalhadores, gerando medo. O desemprego, no seu ponto de vista, tem relação com a violência?
Santos - A saída para diminuir a violência é a educação, saúde e emprego, dando oportunidade para os jovens e permitindo o crescimento da economia. Quando a gente coloca na pauta mais verbas para políticas sociais e públicas, estamos dizendo exatamente isso. O que demonstra o avanço da criminalidade e da violência é a ausência total do Estado e da autoridade na política da prevenção e combate e, principalmente, as ações sociais. O governo não consegue “entrar” nas favelas para oferecer os serviços básicos, por outro lado, o crime organizado consegue.