10 de julho de 2026
Geral

Vereadores sugerem união de forças para a saúde pública

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A presença dos vereadores Majô Jandreice (PC do B), Primo Mangialardo (PV) e Benedito da Silva, o Benê, (PSDB), nos pronto-socorros Infantil e Central, ontem pela manhã, não foi uma “visita de médico”. Depois de quase duas horas de conversas com profissionais da saúde, os parlamentares chegaram ao diagnóstico: a crise no setor padece de morosidade. Apontaram como tratamento agilidade e a criação de uma força-tarefa, formada por vários segmentos da administração municipal.

“Tem que conjugar Secretaria dos Negócios Jurídicos, da Administração, o desenhista, todo mundo. Está desarticulado. A Saúde faz até determinado ponto. Depois, passa para outra secretaria. Em cada lugar, vai parando. Eu até usei a palavra mutirão. Vamos pegar uma semana e tirar da gaveta tudo que tem parado”, recomenda Majô, membro das comissões de Saúde e de Direitos Humanos do Legislativo.

Com a medida sugerida - e aprovada pelo secretário municipal de Saúde, Mário Ramos - a Prefeitura de Bauru demonstraria o caráter de premência que deve ser dispensado ao assunto. “Já que é prioridade, que seja tratado assim. Com prioridade não se mede esforço, não existe horário e quem trabalha menos é convocado para trabalhar mais”, acrescenta Primo, que integra a comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal.

Na opinião dele, de Majô e de Benê, a crise da Saúde reflete várias outras carências da cidade. Eles citam que a incidência de problemas respiratórios, por exemplo, é maior em bairros sem pavimentação.

Ao mesmo tempo

“O aumento das queimadas nas proximidades de Bauru também tem causado problemas. A prefeitura poderia convocar a Polícia Ambiental para fazer uma blitz na região. Não dá para fazer uma coisa só, mas tem de começar pelo número um da fila”, diz Primo. Na opinião dele e dos colegas, a medida poderia resultar na descentralização da assistência médica.

“Ou põe atendimento perto de onde as pessoas moram ou vai continuar desse jeito (atendimento precário nos prontos-socorros)”, afirma Majô. A reportagem a acompanhava quando um profissional da área da saúde informou que a demanda de pacientes “explodiu” no local depois que os prontos-socorros do Mary Dota e do Ipiranga fecharam as portas, há um ano.

O pai de Paloma da Silva de Souza, 11 anos, é prova. Ontem, Manoel José de Souza levou a filha, com suspeita de ter quebrado o braço, ao PAI. “Só tem ela na fila para ortopedia e não chamam. Uma vez eu fiquei das 8h às 17h no Central. É descaso total com a saúde”, comenta. Por causa de situações como esta, Eliane Gonçalves não acredita que a administração municipal tenha elegido a saúde como prioridade.

Ontem, ela também esteve no PAI com a filha Liandra, que está com bronquite. “O atendimento será mais rápido quando tiver mais funcionários”, diz. Ela e outras 12 mães aguardavam assistência médica, ontem por volta das 7h30.

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Reuniões conjuntas

A reunião de várias pastas em torno de assuntos afetos à saúde já é uma prática adotada pela administração municipal há alguns meses, informa a assessoria de imprensa. A proposta de contratação emergencial de médicos, por exemplo, balizou encontros entre as secretarias municipais de Negócios Jurídicos, Administração, além do Gabinete do prefeito.

A assessoria informa ainda que Executivo já enviou ao Legislativo, na última sexta-feira, o projeto de lei com proposta de criar nova grade salarial aos médicos - com jornada opcional de 10 horas semanais. A alternativa lhes permitirá atender no município e a manter seus serviços em clínicas particulares. O profissional poderá optar por outras duas jornadas horárias – 20 ou 40 horas semanais.

Mas por ter enviado a proposta às vésperas do recesso parlamentar de julho, o Executivo é acusado (por parte dos vereadores) de despreocupação com a matéria. Um outro projeto de lei que também dará entrada na Câmara é o que oferecerá aos médicos das unidades básicas de saúde elevação do adicional especial dos atuais 35% para 80%.