09 de julho de 2026
Geral

Com ‘jeitinho’, trabalhador vê o jogo

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Quartas-de-final da Copa do Mundo, comércio fechado, País praticamente parado esperando o pontapé inicial. Para a maioria da população, dia exclusivo para torcer. Para outros, um dia normal de trabalho em que eles terão der dar um “jeitinho” para ver o Brasil em campo contra a Gana, ao meio-dia. Apesar da importância do jogo, inúmeros serviços não podem parar. Garçons, seguranças, porteiros e médicos são alguns exemplos de profissionais que só vão acompanhar os lances da partida se houver brecha no serviço e em TVs improvisadas ou pelo rádio.

O porteiro Luis Alessandro Nunes, por exemplo, vai assistir ao jogo em uma TV 14 polegadas colorida instalada na portaria do prédio no qual trabalha, no Jardim Cruzeiro do Sul. Ele já acompanhou, sozinho, os três jogos do Brasil na primeira fase do Mundial. Hoje, a rotina será a mesma, solitária e com comemoração contida. “Os moradores fazem muita festa. Na hora do gol interfonam, descem até aqui para conversar comigo, o coração bate mais forte, mas não posso descuidar estou no horário de trabalho”, afirma.

Outro torcedor solitário é o segurança do Bauru Shopping, Luis Cláudio Roberto. Ele já perdeu dois jogos da Seleção na primeira fase e também não acompanhará pela TV a partida de hoje. Ao contrário de Alessandro, que pode ver as jogadas pela televisão, Luis Cláudio terá que colocar a imaginação para funcionar, já que seu companheiro será um radinho de pilha.

Para aqueles que trabalham em supermercados, bares, hospitais e bancos, a emoção é maior devido à aglomeração de pessoas. O encarregado de loja Nelson Gomes, funcionário do Supermercado Confiança da Vila Falcão, não se queixa em trabalhar durante as partidas do Brasil. “Achei que ia ser ruim acompanhar os jogos aqui (no supermercado), mas a loja fica mais vazia e dá para a gente (funcionários) atender os clientes e torcer juntos. É muito gostoso, todos comemoram”, afirma. Segundo o gerente da loja, Nilton Adriano Oliveira, não é possível fechar as portas durante os jogos, já que existem pessoas que aproveitam o horário para fazer compras.

A rotina dos funcionários dos hospitais não muda durante as partidas da Seleção. A assistente social Carla Alessandra Matheus, do Hospital da Unimed, explica que o atendimento é normal, mas que o número é reduzido. “Somente no jogo contra a Austrália tivemos um movimento maior por conta de uma de urgência” afirma. Ela confessa que é triste não poder acompanhar o jogo na íntegra, mas o atendimento aos pacientes está em primeiro lugar e, no final, sempre dá para assistir aos melhores momentos durante os intervalos no atendimento.

Bares e restaurantes têm movimento maior durante as partidas da Seleção. Mais trabalho para cozinheiros, garçons e administradores. Para a gerente do restaurante Fried Fish, Esther Gonçalves, trabalhar enquanto todos estão vidrados na televisão não é problema. “Agente curte junto com os clientes, vendo a vibração deles”, explica.

As agências bancárias vão funcionar das 8h30 às 11h30 e reabrem depois do final da partida, às 14h30, para mais uma hora de atendimento. Durante o jogo, os funcionários ficam livres para assistirem onde quiserem, mas segundo a assistente administrativa da agência Bauru, da Caixa Econômica Federal, Silvana Silvestrini, o tempo é curto para ir para casa e retornar.

Já outras empresas, como Grupo Nelson Paschoalotto, decidiram mudar a rotina dos funcionários. Os tradicionais ternos ficam no armário e dão lugar à camiseta amarela. Os 1.350 funcionários da empresa trabalharão com roupas alusivas à Seleção Brasileira até as 11h30. Depois, serão liberados.