A vacinação contra febre aftosa em Bauru atingiu a marca de 99,46% de imunização de todo o rebanho de bovinos da cidade. Em relação ao número de propriedades, a cobertura foi de 97,32%. Os dados foram divulgados ontem pelo coordenador do Escritório de Defesa Agropecuária (EDA) de Bauru, Mauro Braga Mello.
O índice de cobertura vacinal é considerado positivo por ele. Contudo, entre os 15 municípios abrangidos pelo EDA, somente Bauru e Avaí não alcançaram 100%. Em Avaí, 97,86% do rebanho foi imunizado.
Na avaliação de Mello, o fato do índice não ter chegado a 100% em Bauru pode significar que alguns pecuaristas ainda não tenham informado o EDA sobre a aplicação da vacina nos animais.
“Para descobrir isso, os nossos fiscais estão fazendo uma varredura nas propriedades que não nos enviaram a comunicação sobre a aplicação da vacina. Nos locais em que o gado não tiver sido imunizado, será feita a vacinação assistida, ou seja, o pecuarista vai ter que comprar a vacina e nós vamos marcar dia e horário para um veterinário do EDA acompanhar o procedimento”, afirma Mello.
Ainda de acordo com ele, na região abrangida pelo Escritório de Defesa Agropecuária a cobertura vacinal foi de 99,74%. Isso significa que do total de 490.405 animais existentes, 489.125 foram imunizados. Em relação à quantidade de propriedades que possuem gado na região do EDA, a cobertura foi de 99,37%.
Duas etapas
A campanha de vacinação contra a febre aftosa é realizada em todo o Estado de São Paulo em duas etapas, sendo sempre em maio e novembro. Na segunda etapa do ano passado, a cobertura vacinal na área de abrangência do EDA foi de 99,9% em relação ao número de animais, e de 99,54% no que diz respeito à quantidade de propriedades.
Mello não considera preocupante a pequena diferença verificada no índice de cobertura na etapa de maio em relação à de novembro de 2005.
“Todos os anos há uma variação no número de animais. Há muitos pecuaristas que criam gado só para engorda e que neste ano podem ter uma quantidade menor de animais em sua propriedade, por exemplo. É uma diferença muito pequena, embora a nossa meta sempre seja de atingir 100% de cobertura vacinal”, afirma.
A multa para o pecuarista que não imunizou seu rebanho é de R$ 69,65 por cabeça. Já quem vacinou os animais mas não enviou a comunicação ao EDA, pagará multa de R$ 41,79 por cabeça.
No Estado de São Paulo, do total de 13.713.694 animais existentes, 13.479.478 foram imunizados contra a febre aftosa.
Além de Bauru e Avaí, também fazem parte da jurisdição do Escritório de Defesa Agropecuária os municípios de Presidente Alves, Iacanga, Reginópolis, Arealva, Piratininga, Cabrália Paulista, Lucianópolis, Duartina, Ubirajara, Pederneiras, Agudos, Paulistânia e Borebi.
Fernando Cunha, criador de gado brangus e nelore em Bauru, vacinou os cerca de 2 mil animais de sua propriedade. Na opinião dele, a vacinação assistida contra a febre aftosa deveria ser obrigatória em todo País.
“Essa seria a única forma de erradicar a doença. Infelizmente, ainda existem pecuaristas irresponsáveis que não vacinam seu gado, colocando em risco a saúde de um número muito maior de animais”, observa.
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O que é
A febre aftosa é uma enfermidade altamente contagiosa que ataca todos os animais de casco fendido: bovinos, bubalinos, suínos, ovinos e caprinos. A doença é produzida por, pelo menos, seis tipos de vírus. Não há transmissores de aftosa. O vírus é vinculado pelo ar, água e alimentos, apesar de ser sensível ao calor e à luz.
O vírus se isola em grandes concentrações no líquido das vesículas dos animais, que se formam na mucosa da língua e nos tecidos moles em torno das unhas. O sangue contém grandes quantidades de vírus durante as fases iniciais da doença, quando o animal é muito contagioso.
A gravidade da aftosa não decorre apenas das mortes que ocasiona, mas principalmente dos prejuízos econômicos aos pecuaristas. A perda de apetite causada pela doença resulta em perda de peso do gado, quebra da produção leiteira, crescimento retardado e menor eficiência reprodutiva.