08 de julho de 2026
Esportes

Ronaldinho decepciona até na função de meia

Por Eduardo Arruda | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Dortmund - Desta vez não sobrou nem a história de um grande meio-campista para salvá-lo. Em mais um capítulo de um desempenho decepcionante para alguém de seu nível, Ronaldinho de novo não foi nem sombra do melhor jogador do mundo no Barcelona.

Se a Seleção de Carlos Alberto Parreira outra vez não convenceu, o meia-atacante contribuiu de forma contundente para isso. Sem brilho durante quase todo o jogo, ele iniciou a fase de mata-matas da Copa bem menos participativo.

Contra Gana, a bola passou muito menos pelos pés de Ronaldinho do que na primeira fase. Ele recebeu 42 bolas de seus colegas, contra 66, em média, na etapa de grupos. Deu apenas 38 passes, número bem inferior às 64 bolas que distribuiu, em média, nos jogos com Croácia, Austrália e Japão.

Como passou em branco diante dos ganenses, o astro completará um ano sem marcar gols pela Seleção - o último foi na final da Copa das Confederações, 4 a 1 contra a Argentina, em 29 de junho de 2005.

Ontem, após a vitória sobre Gana, Parreira classificou a atuação do jogador, eleito pela Fifa o melhor do planeta em 2004 e 2005, como “razoável”. “Evidente que, pela categoria do Ronaldinho, ele pode subir mais. Espero que ele suba um degrauzinho e espero que seja nas quartas-de-final. Não disse que espero mais dele, me perguntaram... Não só ele, faltou o time trabalhar mais as jogadas antes do chute”, afirmou.

O técnico, que pediu mais “alegria” a Ronaldinho em campo, tem afirmado que ele tem liberdade total para atuar. Na Seleção, Ronaldinho joga de forma diferente da do Barcelona. Ele afirmou que na equipe nacional fica muito longe do gol, apesar de dizer que não se importa em ser meia na Seleção. “Tenho que passar por um, dois, três, quatro jogadores e mesmo assim ainda estou distante do gol”, declarou o atleta que, no Barcelona, joga no ataque.

Após o jogo contra Gana, ele admitiu o mau futebol. “Por enquanto, tenho que me contentar em dar passes”, disse ele, que jogou boa parte do segundo tempo na função que mais gosta e, mesmo assim, só finalizou duas vezes ao gol. “É uma pena (não ter feito gols). Considero um jogo perfeito quando dou passe, faço gols. Isto não aconteceu.”

Ronaldinho afirmou que, não só ele, como todo o time, tem “muito a evoluir”. “Mas se ganharmos todos os jogos por 3 a 0 sem jogar bem, está perfeito”, afirmou.

Um dos mais queridos do grupo, o atleta do Barcelona ganhou apoio do lateral Roberto Carlos. “Acho que ele tem de ficar tranqüilo”, disse. “Certeza que o homem lá de cima está reservando alguma coisa muito boa para ele até o final da Copa.”

Ricardinho

Ele não chega nem perto da fama e da categoria de Ronaldinho. Mas nos dez minutos em que ficou em campo (três nos acréscimos), o meia Ricardinho pode dizer que foi muito mais produtivo que o duas vezes melhor do mundo.

Em 90 minutos, Ronaldinho colocou um atacante em condição clara para marcar um gol apenas uma vez. Ricardinho conseguiu três assistências (uma delas acabou no gol de Zé Roberto), ou uma a cada pouco mais de três minutos.

Ricardinho não errou um passe sequer. Foram dez no total, ou um por minuto. O barcelonista distribuiu a bola para os companheiros uma vez a cada três minutos. “A gente estava perdendo a bola rapidamente, tinha que ter mais controle da bola e aproveitar o posicionamento deles para numa bola em diagonal ou numa enfiada de bola conseguir fazer mais gols”, disse o meia.