08 de julho de 2026
Nacional

MP vai investigar morte de suspeitos

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Dois promotores de Justiça irão acompanhar as investigações sobre a morte de 13 pessoas supostamente ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) na reação policial a uma suposta tentativa de matar agentes penitenciários, anteontem, na região metropolitana de São Paulo. Os promotores são Nelson dos Santos Pereira Junior, de São Bernardo, e Carlos César de Faria Bernardi, de Diadema (Grande São Paulo).

O juiz-corregedor da Vara de Execuções Penais de São Bernardo do Campo, Luís Geraldo Santana Lanfredi, decretou ontem segredo de Justiça no caso. O delegado seccional de São Bernardo, Marco Antônio de Paula Santos, afirmou ter partido do Ministério Público Estadual o pedido para a Justiça decretar sigilo no caso. O objetivo, disse, é não atrapalhar o andamento das investigações feitas pela polícia.

Dez dos suspeitos foram mortos nos arredores do Centro de Detenção Provisória (CDP-1) de São Bernardo e outros três, no acesso a Diadema. De acordo com Santos, nenhum dos mortos era inocente. Eles tinham antecedentes criminais e estavam ligados à organização criminosa.

Embora tenha admitido que alguns dos suspeitos eram conhecidos apenas por seus apelidos, indicando que as investigações ocorreram principalmente por meio de grampos telefônicos, o delegado negou que os policiais tenham agido sem critério no momento em que atiraram contra eles.

Segundo Santos, o tiroteio entre policiais e criminosos começou depois de um deles - que estava armado - ter recebido ordem de prisão. Ele disse ainda que os policiais trabalhavam no caso havia “bastante tempo”.

São Bernardo

Os criminosos começaram a chegar à região do CDP-1 de São Bernardo por volta das 5h. De acordo com a Polícia Civil, eles pretendiam matar ao menos três agentes penitenciários a tiros. Os agentes seriam atacados após o expediente, no trajeto entre a unidade e um ponto de ônibus.

Os policiais acompanharam o posicionamento dos suspeitos e, a certa altura, deram ordem de prisão a um homem que esperava pelos agentes, armado, no ponto de ônibus. Policiais e criminosos começaram a trocar tiros. Foram mortos dois suspeitos no ponto de ônibus; seis em um posto de gasolina; um em outro posto de gasolina; e o décimo em um carro.

Mais três suspeitos fugiram em um veículo em direção a Diadema, mas foram surpreendidos e mortos por um bloqueio policial no acesso à cidade. Foram presos três mulheres que seriam responsáveis por observar a rotina dos agentes e dois homens. Com eles foram apreendidos sete revólveres, nove pistolas e uma espingarda.

Investigações apontam que os criminosos agiram pressionados por ordens de dentro do sistema penitenciário paulista que os incumbiam de matar de cinco a 15 agentes em dez dias. O prazo terminaria ontem. A suspeita é que o comando tenha partido da cúpula do PCC.

Greve

O Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp) não descartou ontem a possibilidade de uma mobilização da categoria por mais segurança no trabalho. A ação seria reflexo de suposta tentativa de ataque contra agentes penitenciários planejada pelo PCC e frustrada pela polícia anteontem.

Segundo o sindicato, agentes penitenciários têm sofrido ameaças de que seriam as próximas vítimas da facção criminosa. A entidade orienta os 23 mil agentes penitenciários, 3.500 agentes de escolta e profissionais da área da saúde e administrativa em presídios a evitarem a repetição de rotina. A diretoria do sindicato informou, por meio de assessoria de imprensa, que os agentes são aconselhados a mudar itinerários e dobrar a atenção enquanto estão fora do trabalho.

Segundo o sindicato, todos os agentes penitenciários trabalham normalmente ontem. Ontem ao menos seis agentes não entraram no Centro de Detenção Provisória de Parelheiros, zona sul de São Paulo, por temerem ataques do PCC. A categoria pretende negociar melhoras nas condições de segurança para não parar.