São Paulo - O jornal “New York Times” de ontem traz reportagem sobre influência da Copa do Mundo sobre as eleições brasileiras. Assinada pelo polêmico jornalista Larry Rohter, a reportagem sugere que o presidente Lula usa o campeonato mundial de futebol para desviar a atenção da população sobre as críticas da oposição.
“Quando a oposição se manifesta sobre a incompetência e a corrupção em seu governo, ele (o presidente Lula) responde se vinculando ao mais popular e bem-sucedido time nacional”, escreve Rohter, logo na abertura de seu artigo.
O jornalista lembra a conquista de cinco Copas pela seleção brasileira e diz que há um “folclore político’’ no Brasil que o sucesso no campeonato mundial beneficia o governante. “Poucos são astutos como o senhor da Silva.
Em suas declarações, ele sempre usa metáforas do futebol para explicar suas ações”, afirma Rohter, dizendo ser “quase inevitável que isso (o clima da Copa) termine envolvendo a campanha eleitoral”. Ele ainda compara Lula -”um entusiasta genuíno por futebol”- com a atitude do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, “um sociólogo que fala cinco línguas mas que jamais pareceu convincente quando simulava interesse pelo jogo”.
Não é a primeira vez que Rohter escreve artigos polêmicos sobre o Brasil ou sobre o presidente Lula. Em 2004, o correspondente do “New York Times" escreveu um artigo com o título “Hábito de bebericar do presidente vira preocupação nacional’’, o que levou o governo brasileiro a suspender, brevemente, seu visto de jornalista no País.
Elogio à defesa
As atuações do goleiro Dida e dos zagueiros Juan e Lúcio na vitória de 3 a 0 da Seleção Brasileira sobre Gana mereceram elogios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente assistiu ao jogo de terno na residência oficial da Presidência, no Palácio da Alvorada. Ao final do jogo, preferiu não dar entrevista à imprensa, preferindo apenas gravar algumas palavras à Radiobrás.
Lula disse que a atuação do Brasil ontem deve preocupar a próxima Seleção a enfrentar os brasileiros na Alemanha. “Os adversários é que têm que se preocupar com o Brasil”, disse o presidente. O Brasil volta a campo no próximo sábado pelas quartas-de-final. Em Frankfurt, a Seleção enfrenta a França, que venceu o Brasil na final da Copa de 1998.