Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem, em discurso na 1ª Conferência Nacional de Economia Solidária, que antes dele o “Brasil era uma coisa meio desarranjada” e revelou que chegou a se questionar sobre se deveria disputar a Presidência diante de algumas avaliações de que o País iria quebrar.
“O Brasil era uma coisa meio desarranjada. As pessoas achavam que não iria dar certo. Economistas sérios como o Paul Singer e Maria da Conceição Tavares achavam que eu teria muitas dificuldades. Alguns achavam que o Brasil estava quebrado e eu dizia: Diabo, vocês são meus amigos, dizem que o Brasil está quebrado e querem que eu seja presidente da República?”, afirmou.
O presidente comparou o País que recebeu com um avião com peças desmontadas. “O Brasil quando nós pegamos era assim”, continuou. Segundo Lula, ele conseguiu “arrumar a coisa” e ontem o Brasil é outro “de tal ordem que alguns críticos do passado não sabem como explicar como é que a gente resolveu o problema da economia brasileira”.
Lula citou como exemplo o fato de no ano passado o governo ter devolvido ao Fundo Monetário Internacional (FMI) US$ 15,6 bilhões; saldar (dívidas com) o Clube de Paris e pagar a dívida das moratórias do tempo do ex-presidente José Sarney. “A poupança interna passou de 17% para 32%”, complementou. O presidente citou ainda a inclusão bancária que, segundo ele, permitiu o acesso de seis bilhões de pessoas a instituições bancárias. “Até então o pobre não sabia entrar na agência porque não era atendido. Não tinha café no bule”, disse.
Conforme o presidente, antes dele, “o Brasil não estava preparado para cuidar da parte mais pobre do País”. No segundo ato que participou depois de ter lançado sua candidatura à reeleição, o presidente ouviu do presidente da Cooperativa Geralcoop, Niro Rossi Nobre Barrios, que a entidade irá ajudar na campanha. “O senhor pode contar para sua reeleição com essa grande parcela de pessoas para por em prática um novo modelo de desenvolvimento”, afirmou.
TSE
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro da Integração Nacional Ciro Gomes apresentaram ontem defesa na representação movida contra eles pelo PSDB por abuso de poder político e de autoridade. A representação foi ajuizada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no último dia 13 e, na mesma data, teve o pedido de liminar negado pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Cesar Asfor Rocha. As informações são do TSE.
O PSDB pediu abertura de investigação judicial eleitoral para apurar condutas que caracterizariam explícita propaganda eleitoral antecipada em favor do presidente na inauguração, em 6 de junho, de obras em duas cidades do Ceará - o início da construção da ferrovia Transnordestina, em Missão Velha, e uma estação de piscicultura em Nova Jaguaribara. Como punição, o partido pediu a decretação da inelegibilidade de Lula.
Em relação a Ciro, os tucanos destacaram trechos do discurso do ex-ministro, que, “em campanha eleitoral inegável, perpetrou comparação entre governos, para promover o atual”.
Defesa
A defesa do presidente Lula, apresentada pelo advogado-geral da União, Álvaro Augusto Ribeiro Costa, impugna o prazo de ajuizamento da representação, protocolada sete dias após as cerimônias oficiais no Ceará.
O prazo seria, para o advogado, de acordo com a jurisprudência do TSE, de cinco dias. Ele também argumenta que a inexistência de registro de candidatura do presidente Lula, à época dos fatos (6 de junho), inviabiliza o ajuizamento de investigação judicial eleitoral para apurar desvios ou abusos “em benefício de candidato”.
A defesa de Ciro alega falha técnica da petição inicial do PSDB em relação ao ex-ministro, já que, no final desta, o partido teria pedido a abertura de investigação contra o presidente, mas não teria mencionado Ciro Gomes.