Pela aparência, apenas uma criança. Mas, aos 13 anos, a adolescente carrega problemas de adulto. Ela não estuda, não mora com a família e não trabalha. Vive com outras colegas também adolescentes, na periferia da cidade. Ontem pela manhã, quando a reportagem chegou em sua casa, a garota estava varrendo a sala e tinha marcas no rosto.
A mais aparente, ao redor dos olhos, ela diz que foi uma “bomba” que a atingiu seu rosto. “Um cara passou e jogou uma bomba. Eu ‘tava’ lá na Nações (Unidas). Foi no sábado”, diz a adolescente.
Ela já foi encaminhada ao Plantão Policial diversas vezes, encontrada à noite na avenida Nações Unidas. Quando questionada sobre o motivo que a fez procurar as ruas, ela é direta: “Estou na rua porque quero”, diz. Mas, garantiu que se tivesse oportunidade, participaria de um projeto social. Em entrevista ao JC, a garota contou um pouco da sua vida.
JC - Há quanto tempo você está na rua?
Adolescente - Não faz muito tempo não. Menos de um ano.
JC – Porque você foi para a rua? O que aconteceu na sua vida?
Adolescente – Porque eu quis. Uma menina que mora na rua de cima chamou “nóis”. Eu resolvi ir.
JC – O que você faz na rua?
Adolescente – “Nóis” fica lá com uma menina que mora na rua de cima. Fomos só duas vezes só.
JC - Você faz programa?
Adolescente – Não. Um homem mandou a gente mostrar o peito duas “vez” só.
JC – Vocês ganham dinheiro nas ruas?
Adolescente – “Nóis” só fica lá porque aqui não tem o que fazer.
JC – Você vai continuar indo para a rua?
Adolescente – Não. Não vale a pena.