O prefeito Tuga Angerami (sem partido) disse ontem, em depoimento ao Ministério Público (MP), que participou de encontro em São Paulo, durante a campanha eleitoral de 2004, onde ouviu de um suposto representante de uma empreiteira a intenção de contribuir com recursos para sua aliança com o vice, Renato Purini.
A versão do chefe do Executivo foi praticamente e mesma do vice ao promotor Fernando Masseli Helene. A diferença é que Tuga se posicionou na condição de espectador do encontro, onde teria sido realizada tratativa para eventual caixa 2.
Ao invés de adotar a estratégia do presidente da Emdurb – que, embaraçado, fugiu dos questionamentos alegando falta de memória sobre o episódio -, Angerami preferiu manter o silêncio a respeito das denúncias.
Tuga argumentou que não poderia ser descortês com o Legislativo e a Promotoria, para quem prestaria informações. Ao promotor, Tuga disse pouco, pontuando apenas que não teria avançado a negociação para doação à campanha. Sobre as revelações feitas pelo ex-diretor da Emdurb Jorge Monteiro ao JC e ao MP, Angerami comentou que elas foram motivadas por mágoa e foram refeitas por desmentido de Monteiro em seguida, no início deste mês.
O prefeito não informou quem foi o tesoureiro de sua campanha eleitoral, mencionando apenas que o contador Paulo Gobbi foi quem cuidou da organização dos recibos e da prestação de contas à Justiça Eleitoral.
Sobre a permanência de Purini no cargo, o prefeito disse que não queria ser injusto ao antecipar se tal medida seria ou não tomada. A exemplo de Purini, Tuga disse que o encontro com representante de empresa, que também disse não saber o nome, ocorreu em frente ao escritório do publicitário Chico Baiano, na Vila Madalena, em São Paulo.
Hoje, o promotor de Cidadania e Patrimônio Público, Fernando Masseli, ouve o ex-candidato do PSDB à prefeitura, Caio Coube. O empresário disse que foi contatado por suposto intermediário da Marquise, mas negou que o encontro tivesse ocorrido durante a campanha.
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Entenda o caso
No início deste mês, o JC revela divergência de Renato Purini com Tuga sobre a terceirização do lixo.
No dia 9 de junho, o JC publica denúncia de suposto caixa 2 na campanha eleitoral da aliança Tuga-Purini.
Nos dias seguintes, o ex-diretor da Emdurb Jorge Monteiro tenta se desmentir, mas o JC veicula confirmação do vice, Renato Purini, de que a tratativa com a Marquise ocorreu.
Monteiro vai ao MP e diz que denunciou porque estava magoado. Purini depõe, mas alega falta de memória e não diz nomes dos participantes da reunião sobre caixa 2.
Tuga confirma reunião, mas deixa a Promotoria em silêncio.