Prezados srs. Adilson Motta e Roberto Starck Lemos, caríssimos leitores do JC. Primeiramente, sinto imensamente de não ter conhecimento de vossos RG, porque assim eu poderia calcular as suas faixas etárias e me convencer de que não estou argumentando em vão.
Gostaria de marcar um encontro com vocês para que pudéssemos avaliar a questão das famigeradas eleições deste país. Tenho uma leve intuição de que os senhores não votaram a quantidade de vezes que já votei. Por ser professora, nunca em momento algum deixei transparecer a minha falta de credibilidade nos “homens políticos” desta nação. Não tenho falta de conhecimento, não sou mera aprendiz de política e não sou defensora das causas próprias.
Só sou amparada por um sindicato que me informa mensalmente o resumo das leis aprovadas em assembléia e congresso. Nunca fomos beneficiadas sem ter que fazer greve, abaixo-assinado, mil telegramas, faixas, passeatas, e isto desde o meu ingresso no magistério, em 1967, até hoje. Caros amigos, os srs. leram na mesma coluna os empregos fantasmas das senhoras dos deputados, ministros e outros assessores? Vale a pena votar?
Estou esperando dos srs. para as próximas eleições o nome de “um” candidato no rol dos milhares que estarão em campanha por este País imenso. Mas junto mande-me a relação de uma benfeitoria feita por ele para nossa região, uma única ação que envolveu o povão (mas que não superfaturou nada para que isso acontecesse).
Os srs. são felizes com tantas CPIs envolvendo 40, 47, 60 deputados?
Estou pensando seriamente nos vosso pontos de vista. E acho, mais uma vez, que não vale a pena votar. Se votar serei assaltada mais uma vez, como um de vocês dizem.
Irei com todo meu caráter, minha retidão e honestidade que me veio de berço e jamais perdi, votar. Irei até o Colégio Eleitoral cumprir o dever de cidadã enganada, para dizer não. Desculpe-me se argumento como professor, talvez até ofenda meus colegas, mas seria falta de responsabilidade moral e cívica me intrometer num campo de diferente que não tenho domínio total.
Será que tenho que dizer sim, se ao longo de minha carreira andei a pé, ingressei 450 km longe de casa, andei de subúrbio, viajei a noite para dar conforto monetário às minhas custas a quem faz campanha política de jatinho?
Paz e bem aos senhores.
Claire T. R. Nunes - RG 4.852.081