São Paulo - Em protesto ao assassinato de Nilton Celestino, 41 anos, funcionário do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Itapecerica da Serra (Grande São Paulo) morto em emboscada do Primeiro Comando da Capital (PCC), parte dos 23 mil agentes penitenciários do Estado fizeram ontem uma paralisação em um protesto que atingiu 70 das 144 unidades, segundo o sindicato da categoria.
A Secretaria da Administração Penitenciária, contudo, divulgou um balanço diferente: a greve teria atingido somente 19 presídios, dos quais dez na Grande São Paulo. Os poucos agentes que foram ao trabalho mantiveram os presos trancados, não permitiram a entrada de visitas e do “jumbo” - alimentos e medicamentos enviados pelos familiares. O clima de tensão entre os agentes, que seriam o novo alvo do PCC, segundo o governo, deve manter a paralisação durante o final de semana, com proibição das visitas de sábados e domingos.
No CDP da Vila Independência (zona leste de São Paulo), os presos prometem fazer uma rebelião se as visitas forem proibidas, segundo funcionários do sistema ouvidos pela reportagem. O Sindasp (sindicato dos agentes penitenciários) informou ontem que os agentes concederam aos presos apenas a alimentação e o atendimento médico emergencial.
A adesão total à paralisação foi registrada em 41 presídios, segundo o sindicato. Seriam 21 unidades na região metropolitana e 20 no Interior, onde não teria ocorrido nem o banho de sol dos detentos. “A cada morte de agente penitenciário haverá 24 horas de paralisação”, afirmou Paulo Gilberto de Araújo, diretor do sindicato dos agentes. Funcionário do sistema prisional desde 1991, Celestino foi morto com mais de 20 tiros por três homens enquanto fazia bico de pedreiro em frente à sua casa.
Segurança
Sem agentes e sob ameaças de ser alvo de uma tentativa de resgate, o CDP de Parelheiros, na zona sul, foi cercado ontem por 40 agentes do Grupo de Intervenção Rápida (GIR), a tropa da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) usada para conter “distúrbios sociais do sistema”.
Com armas, escudos, bombas de efeito moral e cachorros treinados, o grupo - conhecido como “botas pretas” - foi a solução encontrada pelo governo para fazer a segurança em três presídios da Capital onde houve a adesão de agentes na paralisação em protesto pelo assassinato de Celestino.
Além do CDP de Parelheiros, os centros de detenção de Belém (zona leste de São Paulo) e de Itapecerica da Serra mantiveram em alerta equipes do GIR, cujo efetivo no Estado é de 240 homens. A tropa, criada há menos de dois anos e conhecida pela linha dura nas revistas e invasões de presídios, também fez a segurança do enterro de Celestino pela manhã.
Rebelião em Americana
Presos do Centro de Detenção Provisória de Americana (128 km de São Paulo) fizeram ontem 12 agentes penitenciários reféns durante motim que durou cerca de uma hora e meia. Não houve feridos. Os detentos iniciaram o motim após uma tentativa de fuga frustrada.
Eles tomavam banho de sol quando renderam os funcionários, por volta das 7h30. A ação terminou por volta das 9h, após negociação entre os presos e a direção da cadeia. A polícia apreendeu uma arma de fogo e um falso revólver fabricado artesanalmente pelos presos.
A entrega de sacolas de familiares para os presos foi suspensa por causa do motim. A unidade está superlotada, pois tem capacidade para 576 presos e abrigava até anteontem 1.109 detentos, segundo informações da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) de São Paulo. Dos 12 reféns, dois foram liberados logo no início do motim. Os demais foram soltos durante as negociações.
De acordo com a Polícia Militar (PM), a tentativa de fuga ocorreu quando um preso era retirado para ser levado a um julgamento. Os detentos renderam os agentes e tomaram o pátio do CDP. A PM cercou a unidade e guardas municipais de Americana bloquearam as ruas de acesso ao prédio. Segundo a SAP, não houve danos ao patrimônio.