Rios - Representantes da Petrobras e da estatal boliviana YPFB se reuniram ontem em La Paz para discutir a proposta de aumento do preço do gás importado pelo Brasil.
Segundo o diretor de gás e energia da Petrobras, Ildo Sauer, a reunião decorreu em clima “cordial e elegante”, mas não foi definitiva. Um novo encontro será marcado para daqui dez dias em Santa Cruz de La Sierra, onde a Petrobras apresentará sua avaliação sobre a proposta boliviana.
O diretor da Petrobras não quis revelar o valor proposto pela YPFB e voltou a afirmar que não há espaço para aumentos. “O mercado brasileiro de gás está equilibrado, sem gordura”, afirmou o diretor da estatal. “Ainda mais depois do aumento previsto para 1 de julho”, concluiu, referindo-se à revisão trimestral dos preços prevista no contrato com a Bolívia, que deve provocar uma alta de 10% no valor pago pela estatal brasileira.
Após este primeiro encontro, Petrobras e YPFB têm 45 dias para chegar a um consenso. Caso contrário, o caso será decidido em um processo de arbitragem internacional, como prevê o contrato assinado entre as duas partes em meados dos anos 90.
Em entrevista à imprensa boliviana anteontem, o ministro dos Hidrocarbonetos, Andrés Soliz Rada, disse, porém, acreditar em um consenso com os negociadores brasileiros.
As negociações sobre o preço do gás serão tocadas paralelamente a outras conversas, já iniciadas, acerca do decreto de nacionalização das reservas bolivianas, publicado no dia 1 de maio.