O ex-candidato a prefeito de Bauru e presidente municipal do PSDB, Caio Coube, disse ontem ao Ministério Público (MP) que recebeu apenas uma sondagem, por telefone, a respeito de uma possível proposta de ajuda financeira para sua campanha. A exemplo de Tuga Angerami e do vice-prefeito, Renato Purini, ele também não se recorda com quem conversou sobre o assunto.
O empresário afirmou, também, ao promotor Fernando Masseli Helene que ficou bastante surpreso com a declaração oficial de gastos de Tuga Angerami (sem partido) com a campanha eleitoral ter sido fixada em R$ 250 mil, quase três vezes menor que a sua, que foi apresentada em R$ 729 mil na época à Justiça Eleitoral.
O tucano indicou à Promotoria que a declaração oficial das despesas registradas por seu adversário não combinam com a estrutura da campanha pedetista e muito menos com o fato da eleição ter sido disputada em dois turnos, o que encareceu ainda mais o processo na comparação com outros períodos.
Caio foi chamado ao MP para dizer quem o contatou com intenção de suposta colaboração à campanha eleitoral, em 2004, através de representante que seria também da empreiteira Marquise, mesma empresa mencionada em eventual caixa 2 em favor de seu adversário, o atual prefeito. “Você tem que levar em conta que foram duas campanhas, uma no primeiro turno com oito candidatos e depois, pela primeira vez na história de Bauru, uma segunda campanha, de quatro semanas, com dois candidatos, eu e o adversário. A declaração oficial do adversário apresentada foi dois terços menor que a minha, para estrutura muito parecida”, disse.
Para o tucano, a despesa com a campanha declarada por Angerami chama a atenção exatamente pela grande diferença de valores para a comparação. “Foram estruturas muito próximas, campanhas de rua muito forte de ambos os lados, campanha de televisão bem elaborada de ambos os lados. Eu fiquei surpreso quando fiquei sabendo que o volume de recursos do adversário tinha sido nesse porte”, reforça Coube.
Outro indicador apresentado por Coube ao promotor público Fernando Masseli Helene diz respeito à composição das contribuições entre as duas campanhas.
Ele advertiu para o fato de quem suas despesas foram assimiladas em quase 70% por recursos vindos da sua própria família, amigos e grupo empresarial. “45% das minhas despesas foram custeadas por recursos próprios, sem contar a Tilibra e colaboradores próximos. É isso que eu vim trazer para o promotor”, completa.
Indagado se não estranhou o fato do nome da empreiteira ter retornado ao cenário local no início de 2005, quando o governo municipal anunciou contratação de emergência para o serviço do lixo, o tucano criticou a justificativa para a situação de “calamidade pública do serviço”.
“A imprensa cobriu todos os debates e em nenhum deles o lixo foi colocado como calamidade. Logo nos primeiros dias do mandato, o prefeito vem e decreta calamidade pública. Isso chamou a atenção tanto quanto a apresentação da Marquise como escolhida para prestar o serviço. Eu lembrei da sondagem em relação a isso, mas depois houve recuo na emergência”, finaliza.