São Paulo - Agentes penitenciários dos presídios paulistas vão cruzar os braços hoje e amanhã em protesto pela morte de dois colegas de profissão. Com a suspensão das visitas e banhos de sol dos detentos, os próprios funcionários do sistema temem que ocorra uma revolta nas cadeias.
Segundo o Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp), a orientação aos agentes é parar todas as áreas dos presídios, exceto a alimentação e o atendimento médico emergencial. Na última quarta-feira, Nilton Celestino, 41 anos, agente do Centro de Detenção Provisório (CDP) de Itapecerica da Serra (Grande São Paulo), foi executado em frente à sua casa.
Dois dias antes, na segunda-feira, a polícia matou 13 suspeitos de integrar o PCC. Eles estariam planejando, em São Bernardo do Campo, a morte de até 15 agentes - que seriam o novo alvo da facção, segundo o governo do Estado. Para aumentar a tensão entre os agentes, na noite de ontem, Gilmar Francisco da Silva, 39 anos, carcereiro do CDP de Pinheiros, na zona oeste, foi assassinado na frente da sua casa, na zona norte.
A polícia apura se o caso é mais um ataque do PCC ou se foi vingança de usuários de drogas, que o haviam ameaçado há quatro meses. Segundo o presidente do Sifuspesp, João Rinaldo Machado, a expectativa é conseguir a adesão dos funcionários de ao menos 45 das 144 unidades prisionais do Estado. Ele diz que o objetivo da greve é "sensibilizar a sociedade". Outra entidade sindical que representa os agentes penitenciários, o Sindicato dos Agentes de Segurança do Estado de São Paulo (Sindasp) programou uma paralisação para a próxima quarta-feira.
Estresse
Segundo relato de funcionários do sistema penitenciário e de um diretor de presídio da capital, agentes penitenciários estão, desde maio, pedindo em massa afastamento por meio de licenças que argumentam “estresse ocupacional”. O Sifuspesp estima que 15% da categoria - 23 mil agentes - estejam afastados por supostos problemas de saúde. “Nós temos um rigor na avaliação dos pedidos de licença. Mas é difícil você conseguir pessoas com equilíbrio para lidar no dia-a-dia com a massa carcerária. A maioria deles está buscando subterfúgios. Está todo mundo com medo”, desabafou um diretor de presídio que pede sigilo da identidade.
Indignação
Gilmar Francisco da Silva estava armado ao ser rendido por cinco homens, mas não chegou a trocar tiros com os marginais. A família suspeita de vingança de usuários de drogas do bairro que fizeram ameaças ao carcereiro há quatro meses.
No enterro do carcereiro do CDP de Pinheiros, no Cemitério de Perus (zona norte de São Paulo), houve comoção entre familiares e alunos da escola de futebol para jovens carentes onde ele era treinador. “Levaram minha vida junto”, disse, aos prantos, a mãe da vítima, Maria Ivani da Silva, 71 anos.
Segundo ela, traficantes do bairro executaram seu filho. “Meu filho não gostava que usassem drogas na nossa rua”, disse a mãe. Há quatro meses, segundo a direção do CDP de Pinheiros, o carcereiro chegou a ficar detido quatro dias na Corregedoria da Polícia Civil após dar tiros para o alto no bairro na tentativa de assustar jovens que fumavam maconha em uma viela ao lado de sua casa. “Depois que ele foi solto, a mãe desses meninos veio aqui e disse que não iria fazer nada para ele, mas que tinha quem fizesse por ela”, completou a mãe.
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Fuga frustrada e rebelião
São Paulo - Uma tentativa de resgate de presos terminou em tiroteio e em prisões, na noite de anteontem, em São Vicente (litoral de São Paulo). Quatro suspeitos foram presos. Com o resgate frustrado, os presos promoveram uma rebelião. A ação ocorreu por volta das 21h, quando o grupo, que ocupava dois carros, atirou em direção ao Centro de Detenção Provisória (CDP) da cidade.
Os agentes penitenciários revidaram, e a Polícia Militar (PM) passou a procurar os criminosos. Primeiro, os policiais localizaram um Astra e trocaram tiros com os ocupantes. Segundo a Secretaria da Segurança, alguns suspeitos fugiram e outros três foram feridos e detidos. Logo depois, os policiais localizaram um Gol e prenderam um rapaz de 27 anos, integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) e que era procurado pela Justiça.
Após a tentativa de resgate, os presos do CDP promoveram uma rebelião e mantiveram alguns agentes reféns. De acordo com a secretaria, os detentos libertaram as vítimas e entregaram facas e pistolas, após negociação. A ocorrência foi registrada na Delegacia de Investigações Gerais de Santos.