São Paulo - Um laudo do Instituto de Criminalística concluiu que não é do líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, a voz veiculada em entrevista feita por celular pelo jornalista Roberto Cabrini, da TV Bandeirantes, e exibida em maio último.
A informação foi divulgada ontem pelo Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo. Por meio de um telefone celular, Cabrini e o suposto líder do PCC falaram sobre a maior onda de ataques contra as forças de segurança já realizada no Estado. Na ocasião, o entrevistado afirmou que a facção determinou a realização da megaoperação porque “os direitos dos presos não foram cumpridos”.
Segundo informações do TJ, a juíza auxiliar do Departamento de Execuções Criminais e Corregedoria dos Presídios (Decrim), Isaura Cristina Barreira, decidiu na última quarta enviar à 1ª Delegacia Seccional da Polícia Civil da cidade de São Paulo uma cópia do laudo. A seccional deverá apresentar informações sobre o inquérito que apura o delito de apologia de crime ou criminoso, além de enviar à Justiça uma cópia do depoimento do jornalista.
Entrevista
Após a exibição da entrevista, Cabrini disse ter sido autorizado por integrantes da cúpula da facção - também por meio de telefones celulares - a falar com o líder do PCC. Ele chegou a mencionar que, nas ligações em que negociou a concessão da entrevista, os criminosos evitavam dizer o nome de Marcola - preso no Centro de Readaptação Penitenciária de Presidente Bernardes (589 km a oeste de São Paulo), onde vigora o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), o mais rígido do País.
De acordo com Cabrini, pessoas próximas a Marcola foram consultadas por ele e identificaram a voz que aparece na entrevista como a do líder do PCC. Uma destas pessoas seria a advogada do próprio Marcola.
Em nota, a Bandeirantes afirma que “o laudo do Instituto de Criminalística sobre o trabalho de investigação jornalística feito pela Band, está longe de ser a última palavra sobre o assunto”. A emissora afirma ter encaminhado o material para análise critica do professor Ricardo Molina.
“Esse laudo elaborado pelo Instituto de Criminalística é imprestável porque não apresenta qualquer evidência de ordem técnica que permita uma conclusão a respeito do material analisado. No momento oportuno a Band vai demonstrar as falhas do laudo do Instituto de Criminalística”, disse o advogado criminalista Cid Vieira de Souza Filho, ainda segundo a nota da Band.