Gaza - O premiê palestino, Ismail Haniyeh, que pertence ao grupo terrorista Hamas, pediu o fim da ofensiva na Faixa de Gaza e disse que a ação militar de Israel é uma tentativa de derrubar o seu governo.
Dirigindo-se aos palestinos pela primeira vez desde o início da operação desencadeada após o seqüestro de um soldado israelense, Haniyeh discursou em uma mesquita na Cidade de Gaza e declarou que o Hamas não será pressionado por ataques ou pela detenção de seus integrantes - 64 pessoas ligadas ao grupo, inclusive ministros e parlamentares, foram presas por Israel entre a última quarta e a quinta-feira. “Quando eles seqüestraram os ministros eles quiseram seqüestrar o lugar do governo, mas nós dizemos que nenhuma posição será seqüestrada, nenhum governo vai cair.”
O premiê ainda disse que a devolução do soldado Gilad Shalit, 19 anos, estava condicionada ao fim da ofensiva.
O Exército israelense diminuiu, ontem, a intensidade de seus ataques, mas em 24 horas atingiu mais de 30 alvos. Um míssil explodiu próximo a um carro e feriu membros do grupo terrorista Jihad Islâmico.
De acordo com o Exército de Israel, dois militantes palestinos foram mortos e outros dois foram presos durante uma operação na cidade de Nablus (Cisjordânia). Na noite anterior, os escritórios do Ministério do Interior e do Fatah, partido do presidente palestino, Mahmoud Abbas, haviam sido destruídos por ataques aéreos. A casa de Abbas e o gabinete de Haniyeh estão a menos de 1 km da sede do ministério. Israel também revogou os direitos de residência em Jerusalém de quatro integrantes de alto escalão do Hamas. Entre a cúpula do braço político da organização, incluindo Haniyeh, havia o temor de que seus membros pudessem ser mortos ou detidos por Israel.
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) fez uma reunião de emergência para discutir a situação no Oriente Médio e anunciou uma resolução que condena a ofensiva israelense e pede sua interrupção imediata. As Nações Unidas declararam que a destruição da central elétrica na Faixa de Gaza deixou a região à beira de uma crise humanitária - a maioria da população de 1,4 milhão de pessoas estava sem luz. A Cruz Vermelha declarou que estava em negociações com Israel para liberar o envio de suprimentos para a população de Gaza.
Desde o desaparecimento de Shalit no último domingo, não surgiram informações exatas sobre seu paradeiro ou estado. Os Comitês de Resistência Popular - um dos grupos radicais envolvidos no seqüestro - divulgaram nota em que novamente condicionam a libertação do soldado à soltura de palestinos detidos em Israel, mas sem informar sobre Shalit. Uma pesquisa feita entre a população israelense e divulgada pelo jornal “Yedioth Ahronoth” aponta que 53% é a favor de uma solução negociada para o seqüestro, e 43% se declarou apoio à ofensiva militar. A respeito da libertação de prisioneiros palestinos em troca da libertação de Shalit, 58% disse ser favorável contra 35% que se opõe.
Protestos
Milhares de pessoas protestaram nas ruas do Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Turquia contra a ofensiva israelense. No Cairo os manifestantes pediram “jihad” (guerra santa) contra o Estado judeu, mas a sensação era de impotência diante da escalada de violência no país vizinho. O governo do país, que está ajudando nas negociações com as autoridades palestinas para a libertação do soldado israelense, pediu calma à população. Os protestos se repetiram em Istambul, onde milhares de pessoas participaram de manifestações em que bandeiras de Israel foram queimadas, sob gritos de apoio ao Hamas.