11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Indústria local carece de investimentos públicos

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 4 min

A indústria representa 48,14% da economia de Bauru e absorve mais de 20 mil pessoas em seus postos de trabalho. Os cerca de 250 empreendimentos industriais, de grande, médio e pequeno porte, geram faturamento anual da ordem de R$ 700 milhões e suas exportações propiciaram em 2005 o desempenho municipal médio de US$ 80 milhões em volume enviado ao Exterior, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Embora os números sinalizem resultados favoráveis à cidade, os investimentos na área, principalmente advindos do Poder Público Municipal, ainda estão longe do idealizado pelo setor. A análise é do diretor-adjunto do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru, Jair Manfrinato. Para ele, faltam políticas públicas de incentivo industrial no município e, sobretudo, planejamento.

“A indústria, em Bauru, nunca foi alvo de investimentos da Prefeitura. Os prefeitos sempre acharam que criar um distrito industrial, sem infra-estrutura, é um grande favor. O terreno representa muito pouco perto do investimento que será feito. Além do distrito, é preciso oferecer toda uma infra-estrutura para dar condições da empresa se desenvolver”, observa o representante do Ciesp.

Mesmo avaliando como positivos – e atraentes aos olhos dos investidores - os esforços da Prefeitura em viabilizar o tratamento de esgoto, Manfrinato afirma que isso é ainda muito pouco em vista do que ainda deve e pode ser feito e insiste que a proposta dos distritos industriais de Bauru precisa ser revista, e sob uma perspectiva de prioridade. Para ele, a Prefeitura tem de melhorar as condições da área com urgência, oferecendo o mínimo necessário para a instalação de uma empresa.

“Ninguém está pedindo nada de graça. Queremos, simplesmente, o apoio e a ação do Poder Público. No Distrito (Industrial) 2 não existe asfalto. Não dá para você produzir perfume no meio do pó. Ninguém quer passar pó de terra no rosto. O empresário tem que asfaltar por conta própria. Não que isso não possa ocorrer, mas é preciso uma ação mais efetiva do Poder Público”, reitera.

O aumento dos investimentos públicos locais no setor industrial poderia catalisar o considerável crescimento industrial de Bauru, que é, na opinião de Manfrinato, um potencial inerente da cidade e resultado da localização geográfica de Bauru, no Centro do Estado. Este é o diferencial que o diretor elege como decisivo para o progresso da atividade no município.

Além disso, ele considera que a cidade é servida por rodovias que apresentam uma das melhores condições de uso do País, além da hidrovia, que atravessa a região, e do aeroporto – com pista recém-inaugurada, inclusive - do qual dispõe.

“O custo de transporte é altamente significativo na composição de preços de mercado. A posição estratégica de Bauru coopera com a redução dos custos operacionais das empresas, principalmente logísticos. Essa logística é fundamental, porque ela pode atrair mais indústrias”, analisa.

O diretor do Departamento de Ação Regional (Depar) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em Bauru, José Luiz Miranda Simonelli, assim como Manfrinato, aponta os diferenciais naturais de Bauru como principal requisito da cidade para ser uma referência industrial no Estado de São Paulo, independentemente de incentivos públicos municipais.

Porém, espaço para esse crescimento é o que preocupa o representante da Fiesp. Segundo ele, as áreas do município destinadas à indústria têm diminuído consideravelmente.

“Bauru é pequena e sua extensão reservada para o setor industrial está praticamente tomada. As áreas disponíveis nos atuais distritos industriais são pequenas e poucas. Se hoje fôssemos contemplados com uma indústria de grande porte, que precisasse de um espaço muito grande, teríamos grandes dificuldades para abrigá-la”, diz Simonelli.

Por isso, ele sugere a viabilização de um quarto distrito industrial em Bauru, mas com infra-estrutura que ofereça pavimentação asfáltica, galerias, rede de esgoto e outros dispositivos necessários ao local.

‘Desindustrialização’

“Vivemos um momento de desindustrialização. A importação está em ritmo crescente e muitos empresários estão transferindo as plantas para outros países, principalmente as multinacionais, que estão migrando para a Índia, China e Paquistão”, avalia José Luiz Miranda Simonelli, diretor do Departamento de Ação Regional (Depar) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em Bauru.

A ‘desindustrialização’ é mais um problema, somado aos internos, que Bauru enfrenta, analisa ele. Para Simonelli, a falta de uma política econômica que impulsione o desenvolvimento industrial não é um mal que prejudica apenas Bauru, mas todo o País.

“A indústria é o setor que mais gera arrecadação e emprego em Bauru, muito mais, inclusive, que o comércio e a construção civil. Mas, infelizmente, o setor não tem o investimento que precisa e merece”, conclui.