Amparada na evolução do século 21, a sociedade desfruta de todos os prazeres oferecidos pela tecnologia, mas em se tratando de sexualidade o tempo passa mais devagar no calendário. Quando os protagonistas têm mais de 50 anos, principalmente, este cenário ainda é acompanhado de diversos tabus e preconceitos. Entre eles, a idéia de que não é possível vivenciar amor e sexo na terceira idade.
A verdade é que isto é um grande mito concebido em função da repressão de décadas anteriores, aponta a sexóloga e terapeuta de casais Dalva Taborianski. De acordo com ela, antigamente as pessoas acima da faixa etária dos 50 anos eram consideradas velhas, sobretudo as mulheres, que na maioria das vezes não tinham oportunidade no mercado de trabalho ou de auto-suficiência.
Devido aos tabus, muitas mulheres tinham auto-imagem deturpada e se reconheciam apenas no papel de avós. “Elas se vestiam de forma discreta, com roupas pretas ou em tons sóbrios. No cabelo, era faziam um coque”, lembra Dalva.
A aposentada Maura Carvalho, 85 anos, conta que em anos passados era comum classificar as mulheres acima de 70 anos como “caducas”. “Ninguém chegava perto delas e não havia intercâmbio dos mais novos com os idosos”, diz.
Além disso, diferentemente das mulheres, a questão da sexualidade era mais exposta ou liberada para os homens. E, não raramente, alguns deles buscavam aventuras extraconjugais porque suas esposas se negavam a ter uma vida sexual ativa, observa Dalva.
Maura, que é casada há 63 anos, compara os relacionamentos das décadas de 40 e 50 com os atuais. “Antigamente as moças não faziam sexo antes do casamento. Agora isto é normal”, diz.
No decorrer dos anos, muita coisa mudou. Pegando “carona” na liberdade que norteia os relacionamentos atuais, diversos representantes da terceira idade deixaram de lado velhas crenças e se permitiram usufruir de maior liberdade, aponta Dalva. “Hoje muitos indivíduos acima de 50 anos estão mais liberados com a questão da sexualidade do que quando eram jovens. E, se antes eram reprimidos, hoje estão mais avançados.”
Com a revolução feminina, as mulheres acima de 50 anos começaram a se libertar da repressão social e resolveram assumir sua sexualidade, observa Dalva. “Acabou a responsabilidade da avó de ser mãe, quem assume este papel são suas filhas. A velhice deixou de ser uma coisa pesada”, diz. E a sexóloga vai além: “As mulheres foram descobrindo que podem ser charmosas apesar da idade. Começaram a trabalhar, caminhar e cuidar do corpo e da mente”, detalha.
A dança também desempenha papel de destaque neste contexto. Por meio da dança, aponta Dalva, as mulheres aliviam as dores, exercitam o corpo e despertam sua sensualidade.
A bancária aposentada Marlene Zorzi, 57 anos, aprendeu a dançar no ano passado e conta que encontrou nesta atividade uma fonte de lazer e auto-estima. “Tudo fica bem mais leve”, diz ela, que já participou de alguns bailes para terceira idade.
Bailes
A maioria dos eventos voltados a esta faixa etária tem sucesso garantido. Isso porque, além de estimular o convívio e proporcionar diversão, durante os bailes é comum surgirem paqueras e namoros.
Divorciada há cinco anos, Marlene Zorzi já teve uma experiência parecida e conta que, apesar de algumas mudanças, os relacionamentos afetivos na terceira idade são pautados pelo romantismo, aconchego e carinho. “Antes se namorava no portão. Hoje é a mesma coisa, só que na nossa idade, o namoro é diferente. Cada um tem sua vida e não há mais interesse em construir algo por conta do tempo”, diz. “Atualmente nós curtimos o momento, dançamos, vamos ao teatro, cinema, shows, viajamos e também namoramos, mas sem o compromisso de construir um lar e ter filhos. E o sexo pode até ‘rolar’ dependendo do relacionamento”, diz.
Casada há 27 anos, a professora Elhan Kassis Moretti, 59 anos, aprova os bailes e grupos para a terceira idade. Segundo ela, as pessoas acima de 50 anos se identificam com estes ambientes. “Os idosos se sentem à vontade e se comportam com mais liberdade. É uma oportunidade para se divertir e namorar. É interessante porque algumas pessoas se comportam como jovens, só que com mais experiência.”
O “ficar” – comportamento típico da adolescência e juventude – também faz parte do universo da terceira idade. Elhan, que costuma freqüentar os bailes na companhia do marido, conta que esta experiência é um pré-namoro. “É uma forma que os solteiros ou viúvos têm de conhecer outras pessoas e buscar uma companhia”, diz.
Dalva explica que nesta faixa etária tanto os homens quanto a mulheres se sentem capazes de conquistar. Foi o que aconteceu com o aposentado Altair Taborda, 55 anos. Ele, que permaneceu solteiro durante algum tempo, está namorando há três meses e revela que a experiência está sendo extremamente gratificante. “Gosto dela e minha vida ficou melhor. É uma grande felicidade.”Cristiane Goto
Amparada na evolução do século 21, a sociedade desfruta de todos os prazeres oferecidos pela tecnologia, mas em se tratando de sexualidade o tempo passa mais devagar no calendário. Quando os protagonistas têm mais de 50 anos, principalmente, este cenário ainda é acompanhado de diversos tabus e preconceitos. Entre eles, a idéia de que não é possível vivenciar amor e sexo na terceira idade.
A verdade é que isto é um grande mito concebido em função da repressão de décadas anteriores, aponta a sexóloga e terapeuta de casais Dalva Taborianski. De acordo com ela, antigamente as pessoas acima da faixa etária dos 50 anos eram consideradas velhas, sobretudo as mulheres, que na maioria das vezes não tinham oportunidade no mercado de trabalho ou de auto-suficiência.
Devido aos tabus, muitas mulheres tinham auto-imagem deturpada e se reconheciam apenas no papel de avós. “Elas se vestiam de forma discreta, com roupas pretas ou em tons sóbrios. No cabelo, era faziam um coque”, lembra Dalva.
A aposentada Maura Carvalho, 85 anos, conta que em anos passados era comum classificar as mulheres acima de 70 anos como “caducas”. “Ninguém chegava perto delas e não havia intercâmbio dos mais novos com os idosos”, diz.
Além disso, diferentemente das mulheres, a questão da sexualidade era mais exposta ou liberada para os homens. E, não raramente, alguns deles buscavam aventuras extraconjugais porque suas esposas se negavam a ter uma vida sexual ativa, observa Dalva.
Maura, que é casada há 63 anos, compara os relacionamentos das décadas de 40 e 50 com os atuais. “Antigamente as moças não faziam sexo antes do casamento. Agora isto é normal”, diz.
No decorrer dos anos, muita coisa mudou. Pegando “carona” na liberdade que norteia os relacionamentos atuais, diversos representantes da terceira idade deixaram de lado velhas crenças e se permitiram usufruir de maior liberdade, aponta Dalva. “Hoje muitos indivíduos acima de 50 anos estão mais liberados com a questão da sexualidade do que quando eram jovens. E, se antes eram reprimidos, hoje estão mais avançados.”
Com a revolução feminina, as mulheres acima de 50 anos começaram a se libertar da repressão social e resolveram assumir sua sexualidade, observa Dalva. “Acabou a responsabilidade da avó de ser mãe, quem assume este papel são suas filhas. A velhice deixou de ser uma coisa pesada”, diz. E a sexóloga vai além: “As mulheres foram descobrindo que podem ser charmosas apesar da idade. Começaram a trabalhar, caminhar e cuidar do corpo e da mente”, detalha.
A dança também desempenha papel de destaque neste contexto. Por meio da dança, aponta Dalva, as mulheres aliviam as dores, exercitam o corpo e despertam sua sensualidade.
A bancária aposentada Marlene Zorzi, 57 anos, aprendeu a dançar no ano passado e conta que encontrou nesta atividade uma fonte de lazer e auto-estima. “Tudo fica bem mais leve”, diz ela, que já participou de alguns bailes para terceira idade.
Bailes
A maioria dos eventos voltados a esta faixa etária tem sucesso garantido. Isso porque, além de estimular o convívio e proporcionar diversão, durante os bailes é comum surgirem paqueras e namoros.
Divorciada há cinco anos, Marlene Zorzi já teve uma experiência parecida e conta que, apesar de algumas mudanças, os relacionamentos afetivos na terceira idade são pautados pelo romantismo, aconchego e carinho. “Antes se namorava no portão. Hoje é a mesma coisa, só que na nossa idade, o namoro é diferente. Cada um tem sua vida e não há mais interesse em construir algo por conta do tempo”, diz. “Atualmente nós curtimos o momento, dançamos, vamos ao teatro, cinema, shows, viajamos e também namoramos, mas sem o compromisso de construir um lar e ter filhos. E o sexo pode até ‘rolar’ dependendo do relacionamento”, diz.
Casada há 27 anos, a professora Elhan Kassis Moretti, 59 anos, aprova os bailes e grupos para a terceira idade. Segundo ela, as pessoas acima de 50 anos se identificam com estes ambientes. “Os idosos se sentem à vontade e se comportam com mais liberdade. É uma oportunidade para se divertir e namorar. É interessante porque algumas pessoas se comportam como jovens, só que com mais experiência.”
O “ficar” – comportamento típico da adolescência e juventude – também faz parte do universo da terceira idade. Elhan, que costuma freqüentar os bailes na companhia do marido, conta que esta experiência é um pré-namoro. “É uma forma que os solteiros ou viúvos têm de conhecer outras pessoas e buscar uma companhia”, diz.
Dalva explica que nesta faixa etária tanto os homens quanto a mulheres se sentem capazes de conquistar. Foi o que aconteceu com o aposentado Altair Taborda, 55 anos. Ele, que permaneceu solteiro durante algum tempo, está namorando há três meses e revela que a experiência está sendo extremamente gratificante. “Gosto dela e minha vida ficou melhor. É uma grande felicidade.”