10 de julho de 2026
Ser

Alterações fisiológicas não afetam intimidade do casal

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

A vivência da sexualidade na terceira idade nada mais é do que a continuação de um processo natural dos relacionamentos afetivos. Desta forma, é errado pensar que as pessoas perdem suas habilidades sexuais no decorrer dos anos.

Esta crença é alimentada, muitas vezes, pela desinformação e má interpretação das inevitáveis mudanças fisiológicas que ocorrem tanto para homens quanto para mulheres a partir dos 50 anos, aponta o geriatra Luiz Freitag em seu livro “Como Transformar a Terceira Idade na Melhor Idade” (Editora Alaúde).

Lançada recentemente em São Paulo, a obra mostra, entre outros temas, que, além de ser natural, o sexo na terceira idade vem acompanhado de valores como carinho, afeto, aconchego e amor. E não tem contra-indicações.

O geriatra Lilson Long de Oliveira tem pensamento semelhante ao de Freitag. Ele explica que do ponto de vista médico o sexo é indicado, desde que se respeite limitações que algumas pessoas podem ter. No caso dos homens, o tema ganhou destaque com o lançamento do remédio Viagra, que ajuda a preservar as funções sexuais masculinas.

Alterações fisiológicas também afetam as mulheres, aponta o especialista. “No caso delas, a menopausa e a diminuição dos hormônios sexuais femininos influem de alguma forma nas relações sexuais, mas essas alterações são passíveis de mudanças com o tratamento correto.”

A sexóloga e terapeuta de casais Dalva Taborianski destaca que, após os 50 anos e com o climatério, as mulheres vão perdendo gradativamente o poder de lubrificação, problema que pode ser resolvido com a utilização de medicamentos especializados para ajudar e aliviar na questão da dor, como os lubrificantes.

Além disso, Dalva ressalta que, diferente dos homens, as mulheres precisam de mais estímulos durante a relação sexual. “É necessário tempo e dedicação para as preliminares afetivas, como beijos e abraços.”

Mas a sexualidade não significa apenas relação sexual. Ela envolve aspectos emocionais e é responsável pela intimidade do casal. Casada há mais de seis décadas, a aposentada Maura Carvalho, 85 anos, afirma que é possível viver de amor sem sexo.

“Eu e meu marido temos hábitos diferentes, ele gosta de dormir cedo e eu prefiro deitar mais tarde. Dormimos em camas separadas, mas todas as noites nos abraçamos e nos beijamos. De vez em quando ele fica com saudades e vem dormir comigo”, conta Maura.

Maura é um exemplo de evolução da terceira idade, aponta Gislaine Aude Fantini, psicóloga e coordenadora da Universidade Aberta à Terceira Idade (Uati) da Universidade do Sagrado Coração (USC). Segundo ela, com freqüência, pessoas da terceira idade comparecem a palestras e eventos sobre sexualidade, buscando entender as mudanças orgânicas e também culturais que ocorreram durante os anos.

“Hoje, as pessoas acima de 50 anos se permitem conversar a respeito de sexo. Antigamente muitas mulheres casavam sem saber nada sobre o tema porque as mães não sabiam ou tinham vergonha de abordá-lo com as filhas”, observa Gislaine. Lilson aponta que a sexualidade é fundamental para a qualidade de vida do idoso, ressaltando a necessidade de orientação médica e prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis.