09 de julho de 2026
Esportes

De novo a França!

Folhapress*
| Tempo de leitura: 5 min

Frankfurt - Mais uma vez a França, comandada por Zinedine Zidane, acabou com a caminhada brasileira numa Copa do Mundo. Ontem, em Frankfurt, a equipe francesa bateu o Brasil por 1 a 0, com gol de Henry, e se classificou para enfrentar Portugal, na próxima quarta-feira, em Munique, às 16h de Brasília, pelas semifinais.

Esta é a terceira vez que o Brasil vê sua participação em uma Copa encerrado pela França, marca que nenhuma outra seleção ostenta contra o time pentacampeão mundial. Em 1986, também nas quartas-de-final, a França venceu nos pênaltis, após empate por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação. Em 1998, foi a vez de os franceses, Zidane à frente, fazerem 3 a 0 na final do Mundial.

Além disso, com o revés de ontem, o Brasil alonga um período sem vitórias diante da França que já dura desde 1992, quando fez 2 a 0, em Paris. De lá para cá, são cinco jogos, com três vitórias francesas e dois empates. A França também iguala Itália e Hungria, como únicas seleções com duas vitórias sobre o Brasil em Copas.

Com o triunfo, a França chega pela quinta vez às semifinais de uma Copa. Já o Brasil não conseguiu bater o recorde de chegadas consecutivas entre os quatro melhores de um Mundial. Se passasse pela França, a Seleção Brasileira estaria pela quarta vez seguida nas semifinais da competição. Além disso, o Brasil perdeu a série de 11 vitórias em Copas, que se iniciara na estréia de 2002, contra a Turquia. A última derrota brasileira havia sido para a mesma França, na famigerada final de 1998.

O jogo

Carlos Alberto Parreira entrou em campo com Juninho no lugar de Adriano, deixando Ronaldinho mais à frente. E foi Juninho que teve a primeira chance, em cobrança de falta, aos quatro minutos, que desviou na barreira e foi a escanteio. O Brasil começou dominando a posse de bola por mais tempo e se mantendo no campo de ataque, enquanto a França esperava por chances de contra-ataques.

Aos 11 minutos, Ronaldo cabeceou mal um cruzamento de Ronaldinho, mandando para fora. A França chegou aos 14. Em lance confuso na área, Cafu mandou para escanteio. Na cobrança de Zidane, Dida saiu bem e Ribéry mandou o rebote longe do gol. Na seqüência, Ronaldo recebeu pela direita e cruzou rasteiro, mas a bola passou por Kaká.

Aos 26, Lúcio fez sua primeira falta na Copa. Na cobrança, Zidane, que se destacava em campo, mandou longe. A essa altura, a França era melhor em campo e o Brasil abdicava do direito de atacar.

Aos 37, surgiram as primeiras vaias para o time brasileiro, que não conseguia trocar três passes consecutivos. Um minuto depois, Zidane lançou de novo na área e Malouda completou de cabeça, para fora. Aos 41 minutos, Malouda driblou Lúcio, entrou na área, mas Juan cortou o lance a tempo.

Num contra-ataque rápido, aos 44, Zidane fez belo lance, deixando dois brasileiros para trás, e lançou Vieira. O meia partiu de direção ao gol e foi parado por Juan, que recebeu apenas cartão amarelo de Luis Medina Cantalejo.

Na cobrança, a bola tocou na mão de Ronaldo, que estava na barreira, dentro da área, mas o árbitro espanhol enxergou o atacante brasileiro fora da área e marcou falta. Zidane bateu na barreira e o primeiro tempo de domínio francês terminou em seguida.

O segundo tempo começou quente. Com menos de um minuto, Vieira cabeceou para fora um cruzamento de Zidane. Logo depois, Zé Roberto avançou pela esquerda e cruzou. Barthez escorregou, mas conseguiu desviar com a perna. De tanto pedir, o Brasil tomou o seu gol, aos 12 minutos. Zidane deu um belo lençol em Ronaldo e sofreu falta. Na cobrança, o mesmo Zidane, melhor em campo, alçou à área e Henry apareceu sozinho por trás da defesa, apenas completando no alto, de pé direito, sem chances para Dida.

A França quase ampliou aos 16, quando Ribéry fez boa jogada pela esquerda e cruzou por baixo. Juan desviou, tirando de Dida, e a bola quase entrou no gol brasileiro. Perdendo, Parreira tentou mudar a história do jogo, colocando Adriano no lugar de Juninho e voltando à formação com a qual o Brasil havia iniciado o torneio.

O Brasil partiu ao ataque sem qualquer organização e quem chegou novamente foi a França, aos 25, quando Zidane lançou Henry, que, da direita, passou para Ribéry. Dida saiu muito bem e abafou o chute.

Aos 30 minutos, ficou latente a irritação brasileira com o domínio francês. Lúcio entrou violentamente em Henry, por trás, e recebeu cartão amarelo. Em seguida, tardiamente, entraram Cicinho, no lugar de um Cafu num de seus piores dias.

Aos 36 minutos, Ronaldinho tocou de cabeça para Robinho, mas o atacante brasileiro, que acabara de substituir Kaká, completou por cima. Aos 40, Ronaldo tentou de fora da área, mas a bola passou distante do gol de Barthez.

Aos 43 minutos, Ronaldo sofreu falta na entrada da área e as esperanças brasileiras renasceram. Na batida, Ronaldinho chutou forte, mas a bola passou um pouco acima do gol. Já nos acréscimos, Dida evitou o segundo francês e Ronaldo chutou bem de fora da área, obrigando Barthez a fazer sua primeira boa defesa no jogo. Não foi o suficiente para evitar a despedida do sonho do hexa.

Brasil

Dida; Cafu (Cicinho), Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Gilberto Silva, Zé Roberto, Juninho (Adriano) e Kaká (Robinho); Ronaldinho e Ronaldo.

França

Barthez; Sagnol, Gal-las, Thuram e Abidal; Makelele, Vieira, Zidane, Ribéry (Govou) e Malouda (Wiltord); Henry (Saha).

Árbitro: Luis Medina Cantalejo (Espanha)

*Eduardo Vieira da Costa