Frankfurt - Carlos Alberto Parreira diz ainda não saber se permanecerá no comando da Seleção Brasileira após a derrota por 1 a 0 para a França, anteontem, que eliminou o time nas quartas-de-final da Copa do Mundo.
Ontem, ele disse que só decidirá o seu futuro após o Mundial, quando irá se encontrar com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) , Ricardo Teixeira. A informação de bastidores, porém, é diferente e dá que conta de que o ciclo do treinador se encerrou anteontem, em Frankfurt.
“Eu vou conversar com o presidente. Foi ele quem me trouxe (à Seleção), foi ele quem insistiu para que eu viesse (Parreira chegou a declarar que não pretendia voltar a comandar o Brasil). Não combinei nada com ele, mas ficou acertado que quando a Copa do Mundo acabar, nós conversaremos para resolver minha vida com tranqüilidade”, afirmou.
Parreira disse ainda que não existe nenhuma pressão para que ele tome a decisão de deixar ou permanecer na Seleção. Segundo o treinador, esta decisão deve ser tomada com tranquilidade.
Parreira também pediu que a imprensa e os torcedores não procurem culpados. “Acho que agora é hora de lamber as feridas, é o momento de reflexionar. Não vamos fazer caça às bruxas porque o time não chegou à final”, disse o treinador, em entrevista coletiva ontem, no hotel em que a equipe está hospedada.
O técnico previu o “renascimento” do futebol brasileiro nas próximas competições e falou em uma possível reformulação. “É evidente que quando se perde a figura da renovação vem com mais força. Estamos tristes e solidários aos torcedores, mas o sol vai continuar a brilhar e a lua vai aparecer no céu. A vida continua e a Seleção Brasileira vai ressurgir de mais um episódio negativo. Temos ai a copa de 2010 , a Copa de 2014, e o futebol brasileiro vai voltar a ser forte”, afirmou.
Estrelas
O treinador reconheceu que o número de estrelas na Seleção Brasileira causou dificuldades na montagem da equipe. “Com esses jogadores é muito mais complicado. São talentos puros, alguns deles nem estão na posição. Pegá-los, formatá-los dentro de um sistema é muito mais difícil, ainda mais com a pressão da Copa do Mundo”, afirmou o treinador.
O Brasil chegou ao torneio como favorito, baseado no talento de jogadores como Ronaldinho, Ronaldo e Kaká. De acordo com Parreira, os holofotes sobre os astros foram prejudiciais. “A expectativa em torno da Seleção e de alguns jogadores foi muito grande. Cobraram pela expectativa, não pela realidade. Os jogadores não foram mercenários, não foram apáticos. Neste jogo, a Seleção da França foi melhor”, disse.