08 de julho de 2026
Leonardo de Brito

Em Confiança

Leonardo de Brito
| Tempo de leitura: 4 min

A LUTA CONTINUA

Perder uma Copa não é o fim do mundo, pois a vida não se resume em futebol - que é apenas um esporte. E não existe time invencível, um dia a casa cai, ainda porque, perder também faz parte. Eu sei que a Seleção jogou mal, aliás, nem entrou em campo. Jogou pior do que aquela final de 98, mas o que se há fazer agora? Não podemos nos esquecer que a França foi superior tecnicamente, taticamente e individualmente. Somente nos cinco minutos finais aconteceram dois ou três chutes a gol e mesmo assim sem ameaçar a meta francesa. Além do nosso ataque se mostrar debilitado tecnicamente, falhamos muito na marcação. Zidane teve muito espaço para jogar. Além do cruzamento perfeito para o gol de Thierry Henri, Zizou deitou e rolou, dando até um chapéu no Fenômeno. Parreira escalou Juninho Pernambucano e colocou Ronaldinho Gaúcho mais avançado, na posição que os torcedores e jornalistas queriam. Mas não serviu de nada, porque tem dia que a coisa não funciona nem com reza braba. O momento é de reflexão. Vários jogadores encerraram o ciclo na Seleção e o negócio agora é pensar na reformulação, porque o tempo passa depressa e daqui a pouco estaremos envolvidos em outra Copa, a da África do Sul/2010. Como diz o homem, ‘a luta continua, companheiro’.

MELHOR E AZARADO

Ronaldinho Gaúcho não jogou nada nessa Copa, mas pelo menos para os superticiosos, há uma explicação. É que desde a criação do prêmio de melhor jogador do mundo, o eleito acaba decepcionando. Escolhido como o melhor de 1993, o italiano Roberto Baggio foi mal na Copa dos EUA/94, até perdeu o pênalti que deu o tetra ao Brasil. Na França/98, o azar foi contra o Brasil. Ronaldo havia sido o escolhido em 97, mas teve aquele ‘treco’ horrível justamente antes da decisão e a França conquistou o título. Em 2002, o azarado foi o português Figo, o supercraque de 2001. Portugal não passou da primeira fase daquele Mundial na Ásia. Na Alemanha, a ‘maldição’ caiu de novo com o Brasil. Em nenhum momento Ronaldinho Gaúcho lembrou o jogador do Barcelona, que lhe rendeu dois nos seguidos o melhor do mundo. Não marcou nenhum gol, e caiu com a Seleção.

ACERTOU

Pelé costuma dar declarações que geralmente resultam em meras controvérsias. Mas dois dias antes do jogo contra os franceses, o Rei estava inspirado. Ele afirmou que estava com um mau-pressentimento ao assumir que os brasileiros seriam derrotados. Houve irritação, até de nossa parte, mas Pelé ganhou o bolão, lembrando as derrotas para Leus Bleus em 86 e 98. Vale lembrar que no México, o Brasil foi eliminado nas quartas-de-final, num sábado, o mesmo acontecendo na Alemanha/2006.

CONSOLO

“França deu a passagem de volta ao pentacampeão”. Com essa manchete, o diário argentino “Clarín” mostra sua alegria pela eliminação dos rivais brasileiros e exalta a presença do “mágico” Zidane. Alega que a dor da derrota da Argentina para a Alemanha foi amenizada pela eliminação da Seleção de Parreira.

PARREIRA/ZAGALLO

Carlos Alberto Parreira não continuará dirigindo a Seleção. Nem deve. Já Mário Jorge Lobo Zagallo, poderá ser mantido pela CBF, mas para uma função bem mais ‘leve’, uma espécie de cargo honorário na Seleção, por exemplo.

BOA, NORUSCA

Sei que jogo é jogo e treino é treino, mas o Noroeste continua bem. Se depender de preparação, o time de Paulo Comelli vai pintar e bordar no Brasileiro da Série C. Ontem, em Atibaia, o Norusca venceu o Guarani e mostrou que está cada vez mais entrosado.

VOANDO BAIXO

Ao vencer o Grande Prêmio dos EUA, Michael Schumacher manteve viva a esperança de conquistar o título mundial de Fórmula 1. A vitória de ontem, em Indianápolis, foi a terceira do alemão esse ano, a 87ª na carreira. Assim, o piloto da Ferrari diminuiu para 19 pontos a diferença com o líder, o espanhol Fernando Alonso, da Renault. Os brasileiros foram bem: Felipe Massa terminou a prova em segundo e Rubens Barrichello, da Honda, em sexto lugar. Mas a corrida começou com uma surpresa: Massa saltou do segundo para a liderança na largada, com Schumacher no segundo posto. A troca de posições aconteceu no primeiro pit stop, o que já era esperado. Esta foi a primeira dobradinha da Ferrari em 2006, quebrando a série de quatro vitórias e 15 pódios seguidos de Fernando Alonso.

MEMÓRIA

Final da Copa do Mundo do México/1986: Argentina 3 x 2 Alemanha Ocidental, na Cidade do México. Brown, Valdano e Burruchaga marcaram para os argentinos; Rummenigge e Voeller descontaram. Árbitro: Romualdo Arpi Filho (Brasil). Público: 117 mil. Argentina: Pumpido; Ciciuffo, Rugeri, Brown e Olarticoechea; Batista, Giusti e Maradona; Burruchaga (Trobbiani), Erique e Valdano. Técnico: Carlos Bilardo. Alemanha: Schumacher; Berthold, Foester, Jakobs e Briegel; Eder, Matthaeus, Magath (Hoeness) e Brehme; Rummenigge e Allofs (Voeller). Técnico: Franz Beckenbauer.

AQUELE ABRAÇO

Depois de longo e tenebroso inverno, bati um papo legal com o amigo de longa data, Mozart Carbonieri, experiente dentista e são-paulino até debaixo d’água. Um forte abraço também ao amigo de fé Roberto, do Ponto G, Alceu, Luiz e Márcia, do Jeribá e a turma do Bar do Makalé. Todos eles gostam muito desta coluna. Obrigado. De todo o coração.