08 de julho de 2026
Internacional

Israel ameaça os líderes do Hamas

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Gaza - O premiê de Israel, Ehud Olmert, ordenou ontem que seu Exército intensificasse a ação militar na Faixa de Gaza a fim de libertar um soldado israelense capturado na semana passada por radicais palestinos e afirmou que poderá prender, em Gaza, qualquer líder do grupo Hamas - cujo braço político domina o Parlamento palestino.

As ameaças - feitas poucas horas após Israel desferir um ataque aéreo contra o escritório do premiê palestino Ismail Haniyeh, do Hamas, que estava vazio no momento do bombardeio - sinalizam que Israel está perdendo a paciência com os esforços diplomáticos para pôr fim à crise e planeja uma escalada militar.

Na madrugada de ontem, aviões israelenses atacaram um prédio usado pelo grupo Brigadas de Al Aqsa, braço radical da Fatah, do presidente palestino Mahmoud Abbas. Não havia registro de mortes. “Dei ordem para intensificar a ação do Exército e dos serviços de segurança, para caçar os terroristas, aqueles que os enviaram e aqueles que os protegem”, disse Olmert em reunião do gabinete. “Disse e repito, ninguém estará imune.”

O vice-premiê Shimon Peres declarou à rede de TV americana à CNN que o ataque no meio da noite ao escritório de Haniyeh foi um aviso claro de que é para ele parar o comportamento duplo. “Ou esse é um governo com todas as responsabilidades ou é uma organização terrorista, com todas as conseqüências.”

Israel, que se retirou da Faixa de Gaza no ano passado, enviou tropas e tanques para o Sul do território na última terça-feira, dois dias após radicais palestinos capturarem o soldado israense Gilad Shalit, 19 anos. Segundo Haniyeh, seu governo não tem contato com os seqüestradores.

O vice-premiê israelense afirmou que o país levará à Justiça os dirigentes palestinos capturados e envolvidos no seqüestro de Shalit. “Eles serão acusados de participar e de apoiar atos terroristas contra civis.”

Os três grupos armados que mantêm Shalit - entre eles o braço armado do Hamas - agora querem trocar informações sobre o soldado pela libertação de “mil prisioneiros de diferentes nacionalidades”, mas não prometem o fim do seqüestro. Israel já atacou o Ministério do Interior em Gaza e capturou dezenas de membros do Hamas na Cisjordânia, incluindo oito ministros palestinos e 20 deputados.

Em resposta à ação israelense, o braço armado do Hamas ameaçou atacar centrais de eletricidade, instituições e escolas no Estado judeu - ataque de Israel já atingiu uma escola vazia e centrais elétricas. Alertou que a região pode virar um “mar de sangue” se a ofensiva for mantida. Olmert afirmou não ter “intenção de ceder à chantagem”.

Síria

Acredita-se que os captores de Shalit atenderiam Khaled Meshal, líder do Hamas exilado na Síria. Mas ele nega ter autoridade para resolver a crise. “Não temos contato com aqueles que mantêm o prisioneiro”, disse Osama Hamdam, um dos líderes do grupo no Líbano. O chefe da Segurança Interna de Israel, Yuval Diskin, disse ao gabinete que a crise pode levar meses.

Segundo o diário “Haaretz”, em conversa telefônica com a secretária de Estado dos EUA Condoleezza Rice, Olmert afirmou que a chave para resolver o caso está em Damasco - que, para ele, deveria desmantelar os grupos terroristas baseados na Síria - e que o governo fará tudo para assegurar a liberdade do soldado o mais rápido possível.

Expressou também sua gratidão ao ditador egípcio, Hosni Mubarak, que tem mediado os esforços diplomáticos para solucionar a crise. Mubarak pediu ajuda ao ditador sírio, Bashar Assad, para persuadir os líderes do Hamas a soltar Shalit.

A Síria, porém, disse ontem que não pressionará o Hamas para solucionar a crise enquanto não cessarem os ataques de Israel contra Gaza, Síria e políticos palestinos. Ontem também o Exército israelense matou três palestinos armados em confronto no Sul da Faixa de Gaza. O papa Bento XVI pediu a israelenses e palestinos que negociem uma solução para pôr fim à violência na região.