10 de julho de 2026
Política

Candidatos apostam no corpo-a-corpo

Marcelo de Souza
| Tempo de leitura: 4 min

Depois de amanhã começa efetivamente a campanha eleitoral, visando as eleições de 1 de outubro deste ano. Os candidatos a deputado estadual e federal de Bauru começam a se movimentar em busca da preferência do eleitorado e a aposta dos políticos é no velho corpo-a-corpo como estratégia para contornar as restrições que a Justiça Eleitoral impôs para a campanha.

Conforme a lei 11.300/2006, os candidatos estão proibidos de contratar artistas para a realização de showmícios, distribuir brindes, fixar cartazes e faixas em postes, pontes, viadutos e passarelas, além de alugar espaços em outdoors.

O objetivo das restrições é impedir, entre outras coisas, o abuso do poder econômico por parte dos candidatos, deixando a campanha o mais igual possível. Para os candidatos com menor poder de fogo financeiro, as limitações vêm em boa hora, ajudando a nivelar a disputa pelo menos no quesito despesa.

Para os candidatos de Bauru, a mudança na legislação é bem-vinda, principalmente porque a maioria acredita que as regras mais rígidas, impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), vão impedir o assédio dos famosos “pára-quedistas” aos eleitores bauruenses.

A opinião geral dos postulantes a uma vaga na Câmara dos Deputados ou na Assembléia Legislativa é que a lei favorece os candidatos caseiros, já que o contato direto com o eleitor, na opinião deles, será determinante para conquistar os votos, o que não vinha ocorrendo em eleições anteriores.

A rigidez nas regras eleitorais deste ano também agradou aos candidatos locais por causa da falta de recursos para a campanha. Todos afirmam que farão campanhas humildes, por isso a alteração na lei não teria tanto peso.

‘Garganta e sola de sapato’

Com base nas declarações dos candidatos, o eleitor deve receber muitas visitas até outubro. A ordem nos partidos políticos é “gastar a garganta e a sola do sapato”, para convencer o eleitorado e tentar aumentar o número de representantes da cidade nos legislativos estadual e federal.

Para o vereador Antônio Faria Neto (PDT), candidato a estadual, a aposta é justamente no corpo-a-corpo com a população. Segundo ele, a lei minimiza o efeito do poder econômico e vai ajudar os candidatos de Bauru. “Vamos visitar as cidades da região e conversar bastante com os eleitores aqui em Bauru e na região. Acredito que o município tem condições de fazer dois deputados estaduais e um federal”, frisou.

Já Isaías Daibem (PSOL), que também pleiteia uma vaga na Assembléia Legislativa, afirmou que sempre fez campanhas modestas, por isso não terá problemas em se adequar à legislação. “Vamos visitar os amigos, distribuir os panfletos e esperar que as escolas e faculdades abram espaço para o debate político” destacou.

Opinião semelhante tem o candidato pelo PV Luiz Carlos Valle. Segundo ele, a campanha eleitoral será pautada pelo contato com o eleitor, por isso os “grandes candidatos” terão dificuldades. “A lei é fantástica, porque ficou mais difícil para os compradores de votos”, comentou.

A vereadora Majô Jandreice (PC do B) também deve trabalhar no contato direto com o eleitorado, que, segundo ela, sempre foi a forma mais correta de se conquistar os votos. “Nós nunca trabalhamos com grandes campanhas, então vamos pautar a nossa no corpo-a-corpo”, frisou.

Nilson Costa (PPS) também comemora as restrições nas propagandas eleitorais. Para ele, não poderia ser de outra maneira, já que ficou evidente que o dinheiro tem sido o principal responsável pela eleição de alguns candidatos. “Vamos fazer a campanha dentro das regras eleitorais, com auxílio de algum material”, disse.

Disputando a reeleição, Pedro Tobias (PSDB) afirmou que não vai mudar sua postura de campanhas anteriores. De acordo com o deputado, a melhor campanha é justamente o contato com a população. “Vou gastar a sola do sapato e prestar contas aos eleitores. Minha condição não é mais de apresentar propostas, mas de prestação de contas e é isso que vou fazer”, salientou.

O candidato a deputado estadual pelo PTB de Bauru, Ricardo Oliveira, também ressaltou os benefícios que a mudança na lei eleitoral trará à campanha. Ele destacou que a medida é salutar porque vai valorizar a aproximação entre candidato e eleitor. “Vamos utilizar o material permitido pela lei e dar preferência ao contato com o povo, visitando as cidades da região e os bairros de Bauru”, frisou.

Apostar na militância será a estratégia de Roque Ferreira (PT). Segundo o petista, nas vezes em que se candidatou nunca fez campanhas estéticas, ou seja, valorizando a imagem. Para ele, o importante é estruturar a campanha firmando compromissos com o eleitor. “Vamos fazer uma distribuição militante do material que recebermos, conversando com as pessoas e elencando o que é prioridade”, afirmou.

O candidato pelo PMDB de Bauru, Antônio Carlos Barbosa, não foi localizado para comentar o assunto.