08 de julho de 2026
Geral

Saúde perde nove médicos em junho

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Definitivamente junho foi um mês crítico para a rede municipal de saúde de Bauru. Com os prontos-socorros lotados, aguardando por atendimento por horas, e faltando médicos nos núcleos, a Secretaria de Saúde fechou o mês com mais um pedido de exoneração. Ao todo, nove médicos deixaram a prefeitura em junho - o último pedido de exoneração está publicado no Diário Oficial de Bauru de hoje.

O déficit da Secretaria de Saúde é de 89 profissionais: 41 médicos clínicos gerais, 16 pediatras e 32 auxiliares de enfermagem. A esperança da administração Tuga Angerami (sem partido) é que o projeto que prevê adicional ao salário para profissionais da Saúde atraia profissionais para repor o quadro. O projeto de lei, que prevê o aumento, foi publicado no Diário Oficial de sábado. Porém, está sendo republicado na edição de hoje porque, segundo Mário Ramos, saiu com incorreção.

Na edição de sábado, foi publicado que médicos veterinários, assim como os demais médicos - exceto os do pronto-socorro -, terão adicional de 80% aos salários. Com a nova redação, definida ontem entre Ramos e o secretário da Administração, Fernando Jorge, o projeto inclui os veterinários no índice dos demais funcionários de cargos de nível universitário, que vão receber um adicional de 45%. Agora, o projeto seguirá para apreciação dos vereadores.

Ao reforçar o salário dos especialistas que atuam na rede básica de saúde, Mário Ramos visa aumentar o número de médicos disponíveis nos núcleos, melhorando o atendimento. Dessa forma, acredita que a população deixará de buscar os prontos-socorros para consultas ambulatoriais, cerca de 76% dos casos atendidos nas unidades de urgência e emergência. “Temos que reforçar a atenção básica, para criar uma porta de entrada para a população”, define. Mas a tarefa não tem sido fácil. “Já abrimos sete concursos públicos e não equalizamos o problema”, lamenta Ramos.

A esperança do secretário é a aprovação dos dois projetos de lei que já estão na Câmara, o que está sendo republicado amanhã e o que cria mais uma grade salarial para os médicos, com jornada opcional de 10 horas semanais. “Se eu tenho mais médicos nas unidades básicas, uma pessoa do Núcleo Gasparini não precisa buscar atendimento no Pronto-Socorro Central, por exemplo. Aí eu realmente inverto o modelo”, observa. Ramos espera que os projetos sejam votados o mais rápido possível, em reunião extraordinária da Câmara.

Apesar da proposta de adicional ao salário, o secretário reconhece que ainda tem um grande problema nas mãos, principalmente no Pronto-Atendimento Infantil. “Temos que pensar e discutir os pediatras”, aponta. No início do plantão de ontem à noite, os pediatras que assumiram às 19h encontraram cerca de 50 crianças aguardando atendimento. Algumas estavam lá desde às 14h30.

Força-tarefa

Por conta da discussão sobre o projeto de lei, a reunião agendada para ontem para estudar, numa força-tarefa, soluções para a crise da saúde pública municipal, foi adiada. De acordo com o secretário da Saúde, Mário Ramos, até o início da próxima semana uma nova reunião será marcada.

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Saúde da Família

Na reunião que redefiniu o projeto de lei sobre os adicionais da Saúde, também foram definidos alguns aspectos para a criação de mais seis unidades do Programa Saúde da Família (PSF) em Bauru. Apontados por especialistas como uma das melhores ferramentas para atendimento preventivo da população, Bauru mantém apenas uma unidade do programa, que atua na Pousada 1 e 2. Segundo Mário Ramos, o prefeito Tuga Angerami deve anunciar as novas equipes até a sexta-feira.

De acordo com o Departamento de Atenção Básica (DAB) do Ministério da Saúde, Bauru tem capacidade para abrigar até 146 equipes do PSF, mas o custo de manutenção e a complexidade em definir a sua área de atuação são os obstáculos que a secretaria enfrenta para sua implementação.

Os bairros que irão receber as equipes já foram definidos, mas o secretário preferiu não divulgá-los ainda. Segundo Ramos, eles foram escolhidos baseados em levantamentos de dados epidemiológicos, populacionais e sócio-econômicos.