09 de julho de 2026
Nacional

VarigLog propõe deixar a Rio-Sul ou a Nordeste com credores da Varig

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Rio - Os credores da Varig continuarão com a Nordeste ou a Rio-Sul caso a VarigLog compre a Varig. Segundo a nova proposta de compra apresentada à Justiça, ao menos uma das duas subsidiárias regionais da Varig ficariam com a “velha Varig” mesmo com a venda de suas operações no leilão marcado para o próximo dia 12.

A VarigLog, ex-subsidiária de transporte de cargas da Varig, manteve, entretanto, a oferta de uma injeção de US$ 485 milhões na empresa aérea em troca de 90% de suas ações. O dinheiro não seria utilizado diretamente para o pagamento de parte dos R$ 7,9 bilhões que a Varig deve a seus credores, mas para garantir a continuidade de seus vôos.

Para concordar em repassar o controle à VarigLog, os credores ficariam com 5% das ações da nova Varig e os trabalhadores, com outros 5%. Essa parcela do capital seria paga por meio de debêntures (títulos privados de dívida) não transferíveis e conversíveis em ações.

Os papéis garantiriam uma remuneração mínima de R$ 4,2 milhões por ano aos credores da Varig mesmo que a nova empresa continue a apresentar prejuízos. Os trabalhadores da Varig também teriam direito ao mesmo valor anual. Para dar continuidade às operações da Nordeste ou da Rio-Sul, os credores da Varig assinariam um contrato de fretamento de aviões com a VarigLog.

Além disso, a “velha Varig” também ficaria com o centro de treinamento de tripulantes da empresa, que fecharia contratos com a “nova Varig” para o treinamento de seus funcionários. A cópia da proposta anexada ao processo na Justiça do Rio ainda não prevê, entretanto, que os compradores da Varig vão honrar as milhas dos clientes da Varig nem garantir os bilhetes já emitidos.

Na semana passada, a Justiça do Rio havia informado que a VarigLog se comprometeu a assumir esse passivo caso venha a vencer o leilão da empresa que deve ser realizado no próximo dia 12.

Ontem, a Deloitte, administradora judicial da Varig, disse em seu relatório mensal que a companhia não tem condições de manter as operações até agosto se a proposta da VarigLog ou outras não forem postas em prática rapidamente. Segundo a Deloitte isso somente acarretaria “maiores prejuízos para os credores e a sociedade”.

Rotas suspensas

A Varig informou à Agência Nacional de Aviação (Anac) que prorrogou até o dia 11 de julho a suspensão temporária de parte de suas rotas nacionais e internacionais. A companhia informou que voltou a operar vôos para Natal na última sexta-feira. Assim, a empresa mantém agora vôos para 26 destinos entre rotas domésticas e internacionais.

Devido à falta de dinheiro para realizar manutenção de aviões e pagar as empresas de leasing, a Varig preferiu reorganizar sua malha e manter apenas os destinos mais rentáveis. Caso a Varig deixe de operar rotas por mais de 30 dias, no entanto, perderá as concessões, segundo as regras da Anac.