09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Erro da Pátria só de Chuteiras


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Todos temos direito ao erro. Não é com a derrota que a vida termina. Muitos são os soldados que vão e perdem a dignidade na guerra, não voltam, ficam como sementes no terreno do inimigo. Soldados enfrentando a tragédia da guerra. E não sobrevivem para contar histórias. Soldados lutam unidos. A chance de voltarem em paz pode ser maior? A guerra; a tragédia; o erro; e a derrota, faz parte desta máquina disposta a nós, a máquina da vida.

Pode ser que estejamos preparados, mas num determinado dia poderemos não vencer. É que a vida não é uma ciência exata. Todos falham. Todos erram. Todos. Não há ninguém que tenha perdido no caminho. Não há homem ou mulher que um dia não perdeu. Mas, no levante, na esperança e fé, erguem seus olhos e prevêem o horizonte, de que não faz parte de todos nós desistir. O que temos que fazer é acreditar realmente que mesmo na derrota podemos encontrar algo além do sofrimento. Todos precisam do direito de errar. A perfeição não existe. Ainda adolescente, entendi e prometi a mim mesmo que tiraria do meu vocabulário toda expressão que pudesse querer interpretar como determinada coisa fosse perfeita, maravilhosa. Nada é tão perfeito, nada vale o preço da vida ou da dignidade, do caráter. A perfeição está neste horizonte tão discutível, uns falam de Deus outros de uma força superior regida pela natureza. Eu acredito apenas na força de cada um e o que podemos exatamente fazer, oras, viver aprendendo.

A verdade é que o Brasil deixou a Copa, esse é o assunto. O sarcasmo, o egocentrismo, a ignorância e a hipocrisia criaram certas premissas que condenaram os nossos jogadores. Ronaldo foi um deles, mas ele, como qualquer um, tem direito ao erro. Faziam dele o deboche. O riso era sob a imagem de um vencedor. Ele é um vencedor. Duas lesões, assim imaginavam, tiraram-no da vida esportiva? E não foi assim, ele superou. Nossa imaginação alicerçada nas coisas perfeitas e maravilhosas. Nos encantamos com coisas mágicas que não existem. O que vemos aqui na terra, hoje, é criação do homem. É só o homem pode errar.

A tristeza bate no peito, tira o riso da gente. O motivo para deixar de lado qualquer outro sentimento e abrir o coração. O que posso dizer agora, aqueles que lutam, sabem o valor da vitória ou da derrota. Aqueles que tem a consciência do que fazem, sabem o que significa as coisas. É, ter em nossos olhos soldados que voltam de uma guerra sem tiros, mortes e tragédias horrendas contra a humanidade. Não foram derrotados, mas, até na derrota, aprendemos, temos algumas lições.

Poderia ter sido diferente, e se vencessem? Não venceram. E agora. E agora me ergo em orgulho, soletrando o hino do meu país, penso neste Brasil, não apenas futebol, mas povo forte e por segundos cheios de utopias e coisas hipotéticas. E penso no orgulho de estar nele, meu Brasil. No futebol. No sentimento que engrandece a todos. Não podemos querer sempre a vitória, ela deveria vir sempre, mas qualquer outro argumento, seja qual for, agora, não terá entendimento. Só um soldado sabe, quando ele venceu ou saiu derrotado. E quando perdemos, o mundo cai em nossas cabeças, ficamos sem chão. E algumas vezes só cresci na derrota, quando derrotados vemos onde estão os erros. E onde estão os seus erros?

Como você confronta os seus erros, jogando-os a culpa em outros? Que soldados covardes são estes, que na vitória gritam glória e na derrota pedem a cabeça de outros soldados. Somos soldados, cidadãos de um país sem guerra. O nosso único combate até então neste mês foi a copa do mundo de futebol; as outras guerras em nosso país executa milhares de cidadãos e aqueles que acreditam que a vida acaba com a derrota no Brasil na copa, importante isso, crianças morrem famintas e são escravizadas; idosos são maltratados pelo INSS e pelo SUS; políticos roubam nosso país, e queremos morrer pelo Brasil ter perdido um jogo na Copa? Coisas do futebol.

Será que perdemos alguma coisa, senão algo como, um jogo. Não perdemos a vida e nem a dignidade. O orgulho não é um dos melhores sentimentos. Á vitória, desejamos sempre. A derrota, particularmente, sempre estou aprendendo com ela. A tristeza pode vir, mas nunca deixei de acreditar que amanhã vou ter ainda o sorriso na alma e consciência de que entre derrotas, vitórias e tristezas, sempre posso acreditar num dia melhor, pra mim e para todos nós. A vida, de soldados e cidadãos. Todos nós temos direito ao erro. E todos, merecem o nosso apoio, o nosso aperto de mão, o nosso obrigado por ter defendido alguma coisa parecida como a força que representa o nosso país. Coisa triste não é, preferiria ser um país péssimo no futebol para ter cidadãos mais conscientes e um país seguramente entre os desenvolvidos. Onde todos os cidadãos pudessem viver em direitos como os americanos, franceses e suíços. É, já disse Henry, alguma coisa como ignorância, educação e futebol.

Mas sou Brasileiro, e nossos soldados perderam a Copa e não a vida. Os que ficaram orando, torcendo, não se acomodem no que é fácil; eles erraram e merecem a condenação? Todos nós erramos. E Erraram, mas não cometeram atrocidades. O nosso país não pode ser apenas futebol. A nossa democracia não termina, a pátria de chuteira é tão descabida, que a minha única tristeza, não é ver a derrota da nossa seleção. A minha única tristeza, é ver que os humanos, se importam com coisas tão pequenas e outras que necessitaria de maior preocupação, ficam em segundo caso. Aos soldados, aos cidadãos, aos jogadores brasileiros, meu muito obrigado. Estou feliz por terem chegado até lá, venceram etapas. Superaram dificuldades. Eu vi o Lúcio defendendo honradamente o nosso quartel, o gol. O Ronaldo superando seus ferimentos. O time oras entrosado, oras perdido em campo, mas lutaram, certamente, se erraram, o que dizer, acontece? Oras, soldados, voltem seguros para o Brasil ou se acomodem em seus lares na Europa. Mas dêem uma lição ao nosso povo, venha de cabeça erguida e mostrem que na derrota ainda existe a dignidade, a nobreza, o caráter, a esperança. Receberemos cada um, olhos nos olhos, tristes talvez, mas otimistas que podemos mudar isso tudo, sempre. O erro não pertence a ninguém, só que acontece. A derrota acontece. Um dia a vitória também acontecerá. E como bem diz Chico Buarque, na canção Valsinha, entre suas metáforas políticas - “e o mundo compreendeu e o dia amanheceu em paz”.

Alberto Redondo - RG 30.318.462-0