Um homem preso em flagrante pela Polícia Militar (PM) anteontem à noite em Bauru, acusado de ter tentado furtar um Chevette, está ajudando a Polícia Civil a desvendar a ação de uma quadrilha de veículos. Ele confessou ter furtado, sob encomenda, oito carros em Bauru. Para cada veículo, cujo destino era o desmonte para posterior venda das peças, Carlos Eduardo da Silva, 25 anos, disse que recebia de R$ 700,00 a R$ 800,00.
Morador do Fortunato Rocha Lima, o acusado contou que os veículos furtados eram encomendados por uma pessoa da região, que está na mira da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Bauru. Ele relatou como os veículos furtados eram transportados para uma oficina na região onde, em poucos minutos, se transformavam em amontoados de peças.
O rapaz confessou que conseguiu furtar oito veículos, mas por volta das 23h de anteontem acabou preso acusado de tentar levar o Chevette placas CTD 1503, de Bauru. O carro estava estacionado em frente à casa do proprietário, na Vila Antartica. Silva abriu o carro usando uma chave mixa e conseguiu colocá-lo em movimento.
Porém, o Chevette tinha alarme com corte de combustível, o que impossibilitou que continuasse a andar. O proprietário do veículo e uma testemunha, que ouviram o barulho do carro em movimento, perseguiram o acusado. Pelo celular, eles acionaram a Polícia Militar, que conseguiu detê-lo.
Levado para a DIG, Silva abriu o jogo e contou sobre sua parceria com um adolescente, recentemente apreendido, com quem agia na calada da noite para furtar veículos, especialmente os fora de linha. O delegado titular da DIG, Silberto Sevilha Martins, lembra que Silva já era citado pelo menor. “Nós tínhamos o nome dele, mas não sabíamos quem ele era. O menor agia juntamente com ele”, comenta.
A prisão de Silva esclareceu oito furtos de veículos ocorridos nos últimos meses em Bauru. “Quatro já tinham inquéritos instaurados e outros quatro ele entregou hoje (ontem)”, frisa o delegado titular da DIG. De acordo com Martins, Silva preferia agir à noite.
“Ele contou que durante o período diurno, o helicóptero Águia da PM pode localizar mais facilmente o veículo e ele corria o risco de ser preso”, relatou o delegado. O rapaz já tinha passagem pela polícia por furto de veículos.
Os carros preferidos pela quadrilha eram os que já deixaram de ser fabricados e que, por isso, as peças têm maior valor no mercado. Silva confessou ter furtado dois Fuscas, uma Brasília, um Monza, um Kadett, uma Caravan, um Gol modelo bola e uma Parati.
‘Tive sorte’, diz dona do Chevette
A proprietária do Chevette que quase foi furtado anteontem à noite na Vila Antartica diz que teve sorte do carro ser recuperado ainda na esquina. Sem identificar-se, com medo de represália, ela contou ao JC que o carro estava na rua porque sua casa não tem garagem. “Eu costumo guardar o carro num vizinho, mas como acordo muito cedo, às 5h, nesse dia deixei estacionado em frente de casa. A sorte é que o carro tem um sistema que corta o combustível”, relata.
Mas depois de quase ficar sem o Chevette, ela vai aumentar a precaução. “Estou até pensando mudar-me de casa, para uma que tenha garagem. Uso este carro para ir trabalhar, buscar as crianças na escola. Ele me faria muita falta”, afirma.
Na avaliação dela, que tem o Chevette há cerca de cinco anos, o carro vale cerca de R$ 5,5 mil. O filho da dona do Chevette, cujo quarto fica na beira da rua, ouviu o barulho da porta do carro sendo aberta. “Quando meu filho abriu a janela, viu o carro já virando a esquina. Ele, com mais um vizinho, saíram correndo atrás”, conta. (Ieda Rodrigues)