09 de julho de 2026
Nacional

Medo leva agentes penitenciários de SP a pedir licença do trabalho

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Funcionários do sistema prisional do Estado começaram, nesta semana, a entrar com pedidos de licença do trabalho por causa de ameaças de morte feitas por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Em seis dias, quatro agentes foram mortos por possíveis integrantes da facção criminosa.

A Secretaria de Administração Penitenciária do Estado realiza um levantamento nas 144 unidades para saber quantos funcionários já se desligaram do trabalho. Até o fechamento desta edição, os números ainda não estavam compilados. Trabalham em presídios do Estado 23 mil funcionários.

Segundo o presidente do Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional do Estado de São Paulo (Sifuspesp), João Rinaldo Machado, ao menos um agente por dia o procura para informá-lo que vai pedir licença e deixar o cargo. “Há uma pressão muito grande das famílias, que pedem para que eles (agentes) deixem o sistema”, afirmou.

O sindicato não tem o número de pedidos de licença realizado neste ano, pois o trâmite para conseguir o afastamento não passa pela entidade sindical. A reportagem conversou com dois agentes que afirmaram que vão pedir licença ainda nesta semana. “Não dá para continuar dessa forma. Tenho dois filhos e todos os dias, quando saio para trabalhar, minha mulher chora”, afirmou um agente que pediu anonimato.

Segundo ele, trabalhar no sistema prisional hoje “é uma aventura”. “Precisa gostar muito”, disse o agente. Outro carcereiro ouvido, que também pediu anonimato, afirmou que sofre ameaças de morte todos os dias. “Dizem que quando tiver uma rebelião vão me matar.”

Paralização

Vinte e oito das 144 unidades do sistema prisional do Estado de São Paulo estavam com os funcionários em greve ontem, segundo os três sindicatos que representam a categoria. A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) do Estado não havia divulgado balanço até a conclusão desta edição.

De acordo com os sindicatos da categoria, ontem eram dez unidades paradas em São Paulo e Grande São Paulo e 18 no Interior, que incluía as regiões de Ribeirão Preto (314 km de São Paulo), Presidente Prudente (565 km de São Paulo) e Bauru (343 km de São Paulo). Ontem, líderes das três entidades que representam os agentes no Estado - Sifuspesp, Sindasp e Sindicop - se reuniram em São Paulo para traçar estratégias de ação em comum.

“Até agora cada um fazia de um jeito. A partir de agora vamos trabalhar em conjunto”, afirmou Reinaldo Duarte Soriano, do Sindicop. Para o presidente do Sifuspesp, José Rinaldo Machado, o fato de haver três sindicatos que trabalhavam separados enfraquecia a luta por melhorias nas condições de trabalho. “Com as ações sendo realizadas em conjunto, teremos mais força”, completou.