08 de julho de 2026
Geral

Trabalho faz aluno voltar à escola

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

“Parei de estudar dois anos para trabalhar no Exterior. Voltei e me matriculei no supletivo para terminar os estudos logo e arrumar um emprego”, conta Talita Mariano, 19 anos, que está concluindo o ensino médio. O colega de classe, Rafael Miranda de Oliveira, 19 anos, deixou as salas de aula por quatro anos. “O meu caso foi necessidade. Parei para ajudar minha família. Se tudo deu certo, já terminei o 2.º grau”, conta.

A balconista Luciana Figueiredo Silva, 26 anos, pretende continuar a se aperfeiçoar. “Eu não consegui conciliar os estudos por causa do trabalho. Mas tive que voltar a estudar por causa do emprego. Agora, pretendo continuar, fazer um curso de informática”, planeja. Para finalmente concluir seus estudos, Tiago Moraes Santos, 19 anos, sai todas as noites do Parque Santa Edwirges de bicicleta e anda vários quilômetros até a escola Eduardo Velho Filho.

Para evitar que o meio de transporte seja furtado, ele guarda a bicicleta dentro da sala de aula. “Eu morava em Goiânia e quando vim para cá fiquei parado um ano. Agora estou terminando o ensino médio”, diz.

Jerferson Tayano Kene, 18 anos, é direto. “Estava muito velho para a escola normal. Então decidi fazer o supletivo, para terminar mais rápido e trabalhar logo. O trabalho exige 2.º grau completo”. O professor de geografia e história Leonardo José Ribeiro aponta que os alunos do supletivo são mais conscientes. “Eles trabalham e possuem mais responsabilidades e consciência. O incentivo é para eles mesmos”, argumenta Ribeiro, que também é cantor e compositor.

Insistência

Apesar de todos os alunos que terminam o ensino fundamental já terem vaga garantida no ensino médio, muitos jovens começam o ano letivo fora das escolas.

“Os alunos só precisam confirmar a matrícula. Mas logo no primeiro mês, um grande número deles não aparece. Aí começamos o trabalho de procurar um por um, ligar em suas casas, conscientizar. A maioria volta, mas numa sala com uma média de 48 alunos, dois ou três estudantes nunca aparecem”, calcula a dirigente regional de ensino, Vera Nilce Ludke Jarussi Gomes de Sá.