10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Produtos verde-amarelos ‘encalham’

Thatiza Curuci
| Tempo de leitura: 3 min

Antes do início da Copa do Mundo, o comércio de Bauru se preparou para abastecer a torcida verde-amarela de produtos para o hexacampeonato, apostando na vitória do Brasil. Mas, depois que a Seleção Brasileira voltou para casa, os artigos canarinhos ficaram encalhados nas vitrines das lojas. Agora, os comerciantes apostam em promoções e patriotismo brasileiro para vender o que sobrou.

Enquanto o verde-amarelo está “em baixa”, não pode-se dizer o mesmo das camisetas de Portugal. Apesar do sonho dos brasileiros assistirem o técnico Luiz Felipe Scolari chegar à final na Copa do Mundo não se concretizar, o comércio de Bauru conseguiu tirar proveito da torcida brasileira por Portugal. A venda de camisetas de Portugal “emplacou”. Ontem de manhã, antes da disputa entre Portugal e França, elas já estavam praticamente esgotadas nas lojas.

Na avaliação do vice-presidente da Associação das Empresas do Calçadão, Francisco Alberto Franco de Bernardis, o Kiko, a Copa do Mundo não foi um bom negócio para os comerciantes. “Houve um desvio das vendas dos lojistas para outros setores, como o de alimentação”, afirma. Além disso, o fechamento das lojas mais cedo também teria causado perdas.

Assim que o Brasil foi eliminado na Copa, na semana passada, as vendas de produtos verde-amarelos caíram. O gerente de uma loja de produtos populares, Rodrigo dos Santos, está se virando para conseguir vender os produtos “encalhados” como as bandeiras brasileiras, fazendo promoções. “Estamos apostando que os consumidores usem as bandeiras para festas juninas”, espera. Ele conta que produtos com a logomarca do Brasil hexacampeão são pouco procurados agora. “As pessoas ficaram constrangidas de comprar esses produtos”, diz.

O mesmo não aconteceu com o comerciante Érico Fabiano Silva de uma loja de materiais esportivos no Calçadão da Batista. Ele está comemorando o desempenho positivo de Portugal. “Só sobraram duas camisetas esportivas de Portugal. As oficiais já foram vendidas”, diz. Ele conta que os pedidos para o fornecedor foram feitos antes do início da Copa e que na época não previa a chegada de Portugal na fase final da Copa.

Nos dias de jogos do Brasil, cerca de sete camisetas oficiais verde-amarelas eram vendidas por dia. Depois da derrota, a média é de apenas uma por dia. “Tem dia que não vendemos nenhuma”, diz. Mas o comerciante não vê muitos prejuízos. “O número de estrelas na camiseta (referindo-se às cinco do pentacampeonato) continua a mesma. Então, as pessoas podem continuar comprando”, espera.

Em uma loja de confecções, calçados e outros artigos, a camiseta não oficial de Portugal está em falta. “Todas as camisetas já foram vendidas. Não tivemos perdas”, garante o gerente Agnaldo Pereira Pardin.

Nas ruas, os baurenses também encontram motivos para torcer para Portugal. Carlos Pires preferiu mostrar a preferência pelo país lusitano vestindo a camiseta oficial do time. “Lamentei o gol que tirou o Brasil da competição, mas agora vou torcer pelo país que tenho descendência, Portugal”, disse, antes da derrota para a França.

Luana Dias da Silva não chegou a comprar artigos de Portugal nem do Brasil, mas também conta sua preferência. “Não estou torcendo por Portugal diretamente, mas sim pelo Felipão (técnico)”, disse, também antes do jogo.