09 de julho de 2026
Geral

Bauru Atlético Clube ‘nasceu’ no trem

Por Luciano Dias Pires | Editor do Bauru Ilustrado
| Tempo de leitura: 4 min

Na década de 20 do século passado, várias eram as equipes que disputavam jogos de futebol em Bauru e também excursionavam pela região. O Esporte Clube Noroeste, fundado em 1910, surgiu como o time mais estruturado e que representava Bauru em competições realizadas na cidade e região - Smart e Vila Seabra também eram tradicionais agremiações de futebol. Em 1919, um grupo de jovens bauruenses, liderados por Pedro Bertolini, decidiu fundar uma agremiação que na década de 40 passaria a se chamar Bauru Atlético Clube (BAC).

Na viagem de volta de Pederneiras, os bauruenses comemoraram, dentro do trem da então Cia. Paulista de Estradas de Ferro, a vitória por 3 a 1 sobre aquela cidade. A idéia de fundar a agremiação foi bem aceita pelos componentes da delegação e uma reunião foi marcada para o dia seguinte, 29 de abril de 1919, na residência de Bertolini. Na oportunidade, o esportista Antônio Garcia, co-proprietário da Casa Lusitana, foi convidado para comparecer.

Com a presença de numerosos esportistas, foram discutidos os planos em torno da futura agremiação, inclusive surgiram os nomes de E.C. Terra Branca, Clube Atlético Bauru, entre outros, à nova entidade. Em homenagem a Antônio Garcia, foi sugerido e aprovado o nome Lusitana F.C.. Garcia foi eleito o primeiro presidente do clube que iria alcançar, na história esportiva de Bauru, inesquecíveis vitórias.

Em 1931, quando nasceu a Federação Bauruense de Futebol, hoje Liga Bauruense de Futebol Amador, o Alviceleste foi o vencedor na disputa do torneio que marcou a fundação do órgão. E, nos campeonatos oficiais promovidos, ganhou os três primeiros campeonatos da cidade, ostentando, assim, o título de tricampeão (1931, 1932 e 1933).

Até 1946, quando foi disputado o último certame oficial de Bauru, o então Lusitana F.C. venceu seis, o mesmo número de conquistas do E.C. Noroeste. Aliás, o BAC foi, em toda a sua história, o maior rival do E.C. Noroeste e quando se defrontavam, nos chamados clássicos, era intensa a movimentação em toda a cidade. Em 1942, terminado o campeonato brasileiro de futebol entre as seleções que representavam os diferentes Estados, a seleção de Mato Grosso, quando do seu regresso, deveria passar por Bauru e viajar pelo trem da E.F. Noroeste do Brasil.

Na oportunidade, foi marcado um jogo amistoso contra o Lusitana F.C. e este, depois de memorável atuação, venceu por 10 a 1, resultado que repercutiu em todo o Brasil. Em 1930, enfrentando uma equipe da Polônia que estava excursionando pelo Brasil o time bauruense ganhou de 6 a zero. No início dos anos 50, enfrentando em Bauru o Atlanta de Buenos Aires, equipe que disputava o principal campeonato argentino ao lado do Boca, River, Racing, San Lorenzo e que no meio da semana havia derrotado o São Paulo, no Pacaembu, por 1 a 0, em um dia de grandes festas, o time bauruense venceu por 8 a 2. O triunfo foi comentado por toda a imprensa nacional e internacional, pois havia sido uma das maiores vitórias em jogos entre o Brasil e a Argentina.

Títulos

Em 1942, o então Lusitana F.C. chegou ao vice-campeonato do Interior, quando perdeu em Taubaté no jogo decisivo. Transcorridos alguns anos, o Alviceleste trouxe para Bauru o importante título, ao sagrar-se campeão do Interior de 1946, campeonato esse que pode ser igualado à atual 2.ª Divisão que dá acesso ao futebol elite de São Paulo.

Nos velhos tempos, existia o “amadorismo-marron”, como eram chamados os jogadores que defendiam os clubes interioranos. Entre eles ainda não existia o profissionalismo, que passou a vigorar a partir da criação da Lei do Acesso e Descenso, em 1948. Mas, naqueles tempos, os jogadores já tinham salários, ganhavam empregos e recebiam também os prêmios por vitória e luvas quando da assinatura do contrato. Era o chamado semi-profissionalismo.

Nos anos 30, o então Lusitana F.C., depois Bauru Atlético Clube, vendeu Toni e Bertoni para o Corinthians Paulista. Nos anos 50, Souzinha para o Corinthians e Marinho para o Fluminense do Rio de Janeiro. Foi, o Lusitana F.C., um autêntico celeiro de craques e muitos de seus jogadores posteriormente transferiram para o E.C. Noroeste.

Mas no BAC que Pelé deu os seus primeiros passos no futebol organizado, quando foi campeão pelo juvenil baqueano em 1955. Depois, com o encerramento das atividades futebolísticas do BAC - profissionais e juvenil - Pelé passou a treinar no E.C. Noroeste e lá, em jogos amistosos, defendeu o Alvirrubro em diversas partidas pela região.

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Mudança de nome

Em 1946, visando melhor penetração nos diferentes setores da cidade, a diretoria do Lusitana Futebol Clube decidiu mudar o nome do clube para Bauru Atlético Clube. Essa modificação parece que deu sorte, pois naquele ano o BAC conquistou o título de campeão do Interior. Se na época já existisse a Lei do Acesso, teria ele sido promovido para o futebol maior de São Paulo.