De um lado, muitos portugueses radicados em Bauru e seus descendentes torceram por seu país e sofreram com a derrota diante da França ontem na semifinal da Copa do Mundo, mas se mostraram satisfeitos com o desempenho do time. Do outro, os raros franceses, descendentes e até brasileiros que têm forte ligação com a França comemoraram o resultado e seguem confiantes no título de campeão mundial.
O técnico em meteorologia Eric Schmitt, 49 anos, nascido e criado na França, conseguiu “fugir” do trabalho e acompanhou a vitória dos “bleus” em um bar da cidade. “Estou muito confiante que a França possa ganhar da Itália porque ganhou do Brasil, que é o melhor do mundo”, disse, sem esconder o carinho que tem pela Seleção Brasileira. “Eu estava torcendo pelo Brasil, mas como ele já perdeu, agora torço por meu país”, completou ele que mora em Bauru há apenas dois meses, após casar com a bauruense Valéria de Carvalho Costa.
Ele ainda não sabe onde vai assistir à final da Copa no domingo, às 15h, afirmando que não encontra compatriotas em Bauru. “Acho que vou assistir com amigos”, comenta, arriscando um palpite. “A França vai ganhar de 2 a 1”, diz. Nascida em Nevers, região central da França, e radicada em Bauru há 16 anos, Sophie Monginet Toledo e a família, que acompanham a Copa em Paris, se dividiram ontem no jogo França e Portugal.
O marido e o filho escolheram Portugal, enquanto ela e os pais, a França. Com a vitória sobre o time de Felipão, a certeza é de que agora a família poderá se unir na torcida pela França, contra a Itália, na partida da final. Outro francês radicado na região é Michel Neth. Ele morou em Bauru por 15 anos e, há alguns meses, vive em Araçatuba. Nascido na região de Bordeaux, Michel acompanhou o jogo de ontem pela Internet, pois estava trabalho. Michel afirma gostar muito de Felipão, mas diz que agora, depois da vitória, os azuis partem para o título.
Portugueses
Dono de um açougue situado na região do Higienópolis, José Nazaré Mendes, português radicado no Brasil desde 1956, conferiu as emoções da partida de ontem no próprio local de trabalho, junto com a esposa, a filha e o genro. Para ele, a seleção portuguesa já está de parabéns por ter chegado à semifinal.
O cônsul honorário de Portugal na região de Bauru, Arlindo Figueiredo, que vive há 71 anos na cidade, assistiu ao jogo na própria casa, alegando que é quase impossível reunir a família para torcer em dia de semana. Ele exalta a raça que o técnico brasileiro conseguiu dar aos “patrícios”. “Felipão pegou um povo apático por futebol. Transmitiu fibra e determinação para os jogadores e contagiou todo o povo português. O time está de parabéns”, afirma.
Português nascido na região de Murtede e radicado em Bauru há 55 anos, Fernando Marques Abreu sofreu em companhia de 12 conterrâneos que se reuniram para ver o jogo no Clube Luso Brasileiro de Bauru. “Eles deram o sangue, mas não podemos negar as qualidades do time da França”, afirma o português. Portugal e Alemanha fazem a disputa do terceiro lugar no sábado, às 16h.
Há quase um ano em Bauru - onde fez um estágio e agora passa por um tratamento de saúde -, a psicóloga portuguesa Maria Inês Ferreira da Costa de Almeida Ribeiro, 25 anos, estava confiante na seleção de seu país antes do jogo. “Estou aqui torcendo”, disse ela, que veio ao Brasil, primeiramente para o Amapá, onde fez um intercâmbio estudantil.