Os buracos constituem um pesadelo para todos os prefeitos. Apesar de serem produzidos muito mais por caminhões e ônibus pesados do que pelos carros e pés dos munícipes, a oposição sempre acha que o chefe do Executivo é o culpado. No Rio de Janeiro, na Administração Pereira Passos, havia um buraco em frente à Confeitaria Colombo, responsável direto por ferimentos em duas pessoas que nele caíram.
Um gaiato chegou a colocar-lhe um cartaz, “Buraco do Lebrão”, em referência a Manoel Lebrão, proprietário da Confeitaria. Uma revista carioca chegou a fazer uma peça de teatro com o título “O buraco” e o poeta Bastos Tigre, por gozação, plantou-lhe uma muda de coqueiro, que passou a ser aguada diariamente e durou 3 meses. Para os jornais, aquele coqueiro no meio da rua era um prato cheio. Raimundo de Menezes conta que, como freguês habitual, Emilio de Menezes, quando entrava na Confeitaria ia direto lavar as mãos. Mas a toalha vivia tão molhada que um dia ele gritou: - Garçom, traga um pano para enxugar esta toalha!
Em relação ao buraco, Emilio saudou-o com uma trova que circulou com grande sucesso entre os cariocas: Sepultura de prefeitos / Esse buraco aí está / Já caíram dois sujeitos/ Um terceiro cairá.
Contada por Rui Bertoti