09 de julho de 2026
Polícia

Em dia de furtos e roubos, vigia é baleado e quatro funcionários são rendidos em Bauru

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Embora as estatísticas oficiais apontem queda no número de furtos e roubos em Bauru, a sensação de insegurança toma a cidade em virtude de ocorrências marcadas pela violência. Ontem à tarde, em apenas duas horas, um segurança foi baleado no rosto durante assalto na Vila Cardia e quatro funcionários foram rendidos num outro roubo ocorrido na Vila Galvão.

O medo também permeou a vida de pelo menos outras três pessoas. Todas elas foram vítimas de ladrões na noite de anteontem, quando outras sete foram alvo de furtos. As dez ocorrências foram registradas apenas no plantão policial (leia nesta página). Excluem todas as demais notificações feitas durante o dia de ontem, como a que resultou num homem baleado.

Aos 53 anos, Ailton Barbosa Borelli levou um tiro, que lhe atravessou o rosto. Consciente, foi socorrido e não corre risco de morte. Policial Militar (PM) aposentado há dois anos, ele trabalhava como vigia numa empresa, situada na quadra 4 da rua Monteiro Lobato. Estava em frente ao prédio, quando levou uma “gravata” do assaltante, que lhe alvejou e fugiu com sua arma. Ao que tudo indica, a intenção era matá-lo.

Ação

Só após o disparo, é que o roubo foi anunciado a dois funcionários da empresa de painéis, que voltavam de uma instituição bancária com R$ 15.700,00. “Nem descemos do carro. A moto parou do lado e o motorista disse para não sairmos. O garupa desceu, abraçou (o segurança) atirou e voltou”, conta Edson Carlos Batista de Souza, 39 anos.

No momento da ocorrência, ele estava acompanhado pelo colega Lucas Pascoal Rodrigues, 19 anos. Ameaçados com arma de fogo, entregaram o envelope com o dinheiro. “Pelo caminho, não tinha ninguém (seguindo o veículo)”, comenta Souza. De acordo com ele, os dois assaltantes só se aproximaram com uma motocicleta quando o Gol placas DDZ 6517 já estava parado.

Procurados pela polícia até o fechamento dessa edição, além de armados, os homens praticaram a ação com capacetes. “Foi muito rápido. Não ouvimos nada. Quando vimos, ele (Borelli) já estava caído no chão”, conta um vizinho, que pediu para ter o nome preservado. O PM aposentado foi socorrido ao Pronto-Socorro Central e de lá seguiu para o Hospital de Base, onde passou por uma pequena cirurgia para que o ferimento fosse suturado.

De jeito alegre e atuante quando trabalhava na Força Tática da PM, o atentado contra ele comoveu muita gente, especialmente colegas do atual trabalho. Conforme a reportagem constatou, uma funcionária da empresa até precisou de cuidados médicos após a ocorrência. “Com certeza ele era conhecido (dos assaltantes). Atiraram nele para matar, não para assustar”, comenta o major Wellington Venezian, coordenador operacional do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM-I).

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Ação planejada

Tanto para a Polícia Civil quanto para a Polícia Militar, o roubo registrado na Vila Cardia foi detalhadamente estudado antes de ser executado. “Foi uma ação bem planejada. Pelo jeito, já sabiam do vigia e do dinheiro”, comenta o delegado Francisco Bromatti. Ele é titular do 3º Distrito Policial (DP), onde a tentativa de latrocínio foi registrada.

De acordo com Bromatti, latrocínio (roubo seguido de morte) é uma qualificadora de roubo e tem pena prevista de 7 a 15 anos de reclusão. Um inquérito já foi instaurado para apurar o caso, considerado pela PM como idêntico ao registrado na Vila Galvão por ser próximo ao dia de pagamento.

As duas ocorrências foram registradas às vésperas quinto dia útil. E as empresas envolvidas têm o hábito de pagar os funcionários em espécie. A medida as torna atrativas aos olhos dos assaltantes, informa o major Venezian. Na opinião dele, depósito em conta ou pagamento com cheques poderiam evitar eventuais problemas. “Muitas vezes, a pessoa fica observando quem faz o saque”, acrescenta o delegado Marcelo Nagib Haddad, titular do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra).

Segundo ele, próximo ao dia 20 e ao quinto dia útil do mês, o Garra e os distritos policiais reforçam o patrulhamento preventivo próximo às instituições bancárias.