10 de julho de 2026
Nacional

‘Caixa dois não será repetido’, diz Filippi

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - Em sua primeira entrevista como tesoureiro da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, o prefeito licenciado de Diadema (SP), José de Filippi Júnior. (PT), garantiu que não haverá caixa dois.

O petista revelou ter relutado em aceitar o convite por temer ganhar o apelido de “substituto de Delúbio” ou de “PC Farias”. “Fiquei três noites sem dormir. Foi difícil. A história deste cargo não é muito boa”, disse.

Ontem, o presidente do PT, Ricardo Berzoini, e o ex-prefeito repetiram várias vezes que não querem comparações com a última eleição. A coligação “A Força do Povo”, que reúne PT, PRB e PC do B, apresentou ontem ao TSE uma estimativa de gastos máximos de R$ 89 milhões na campanha presidencial - em 2002, do teto fixado em R$ 54 milhões, R$ 34 milhões foram contabilizados como gastos.

Apesar de falar em transparência, Berzoini disse que nem os gastos de campanha nem os nomes do doadores serão divulgados numa periodicidade maior do que a definida por lei. Segundo Filippi, o primeiro doador da campanha de Lula será José Alberto de Camargo, presidente do Instituto da Cidadania e ex-diretor da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, maior doadora em 2002, com R$ 1 milhão.

“Tio Rico”

Investigado pelo Ministério Público de São Paulo, que quer saber a origem dos R$ 183 mil dados como garantia num processo judicial, Filippi disse ontem que a maior parte do dinheiro saiu de uma conta poupança de um “tio rico”.

“O dinheiro é do tio Mário Moreira, que é comerciante na avenida Cupecê (SP) e também mexe com agropecuária. O tio Mário não é filiado a nenhum partido nem tem contratos com a prefeitura. Ele é o tio mais rico da minha mulher. Fez uma contribuição a título de empréstimo”, afirmou o prefeito licenciado de Diadema. Filippi disse ter procurado a ajuda do tio e de amigos para conseguir desbloquear os bens dele e da mulher - que haviam sido indisponibilizados por ordem judicial como garantia de pagamento dos R$ 183 mil.

No processo, o prefeito foi condenado em segunda instância por usar em propaganda oficial o símbolo do PT, três estrelinhas, que representariam as três gestões dele. A lei brasileira proíbe a vinculação do logotipo de administrações públicas a bandeiras partidárias. Segundo Filippi, Moreira lhe emprestou R$ 150 mil por meio do cheque n.º 2.668 do banco Santander, no dia 10 de dezembro de 2003: “Ele foi muito legal. Disse que se eu precisasse de mais, me emprestaria”.

O prefeito licenciado, que arcou com R$ 15 mil, recebeu ainda a ajuda do amigo e deputado estadual Mário Reali (PT), ex-presidente do PT em Diadema, no valor de R$ 10 mil. Outros 28 amigos, cujos nomes não foram revelados, teriam contribuído com quase R$ 7.000,00. Os mesmos amigos deram uma festa e arrecadaram R$ 1.430,00. “Tenho certeza de que irei ganhar o processo e vou devolver o dinheiro, de forma corrigida, para todos”, disse.

O prefeito licenciado de Diadema, que será o tesoureiro da campanha presidencial de Lula, afirmou também que a contratação do escritório de advocacia do deputado federal Luiz Eduardo Greenhalgh, sem licitação, não foi ilegal: “A própria legislação prevê, em alguns casos, a dispensa de licitação”. “Eu estranho muito tudo isso [a investigação] ocorrer de forma simultânea às decisões de campanha”, disse Ricardo Berzoini, presidente do PT.