09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Lições de um fracasso


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Como torcedor e sofredor, gostaria de externar também algumas conclusões sobre o fraquíssimo desempenho de nossa seleção, embora tenha lido eficientes comentários sobre aquele evento mundial, nesta prestigiada página.

As deficiëncias da seleção tëm sido constatadas por todos há muito tempo, em jornais e na televisão. O técnico Parreira não pode alegar desconhecimento, dizer que não sabia das falhas, das dificuldades. Sempre que se tocava no assunto, o técnico respondia com ar de superioridade, de mestre dos mestres do futebol. Sempre com as saídas do “jeitinho brasileiro de responder”, que nem sempre dá certo.

Mas algumas lições do insucesso do técnico, porque realmente é o culpado, não o Roberto Carlos, podem ser extraídas, até para nossa vida prática, em atividades como dirigente de uma empresa, de uma entidade, de uma escola ou até mesmo como chefe de família, isto é, atividade de comando de um grupo para alcançar algum sucesso.

As falhas cometidas por Parreira são tão evidentes e comuns que podemos explicar, utilizando antigos brocardos populares bem conhecidos.

Algumas delas: Dizer com a boca cheia que tinha vinte e trës jogadores e poderia dispor de qualquer um, dando a entender que tinha autoridade para trocar a qualquer hora, que ninguém tinha lugar fixo e permanente. Mentira, usou pouquíssimas opções e sempre os mesmos, ao longo dos quatro jogos. (Faça o que digo, não o que faço).

Ao invés de realizar mudanças no intervalo, com tempo suficiente para observar e melhorar o desempenho, sempre deixava para a metade do segundo tempo, mesmo ocorrendo falhas gritantes, e substituindo até ineficientemente. (Não deixe para depois, o que se pode fazer antes).

Falava demais, que tinha as melhores estrelas, um celeiro de craques, o melhor time, com jogadores diferenciados, superiores aos outros. Deveria deixar que os outros elogiassem. A ele cabia fazer o dever de casa, suar a camisa para treinar o time, como o Felipão, orientar, criar jogadas. (Elogio em boca própria torna-se vitupério ou também: Macaco, olhe primeiro para o teu rabo, deixe o dos outros).

Além dessas falhas, outras ainda podem ser acrescentadas. Costumava destacar atletas ou setores do time, dando a impressão de serem mais importantes que o time todo. O dirigente de um grupo não pode privilegiar alguns em especial, esquecendo-se de outros, como se não fossem importantes para o grupo. A equipe, empresa ou entidade é o todo.

Todos são responsáveis, todos devem ser respeitados em sua função. Não foi o Roberto Carlos, como disse o técnico, o responsável pela derrota contra a França. Não é um quadrado ou triângulo mágico que leva uma equipe ao sucesso. Destacar alguém ou alguns, como principais, pode levar os outros ao desestímulo, à revolta, ao boicote ou inoperäncia. Durante as partidas, dava a impressão de que a equipe jogava apenas para o triângulo ou quadrado mágico, só eles que decidiriam, em jogadas entre si ou individuais. Sem ânimo, sem organização, o técnico e nós também só esperávamos o sucesso dos pés dos deuses maiores da linha de frente. Com tanta experiência, me admira que o Parreira não tenha pensado que algum adversário fosse competente para barrá-los e até dar chapéu neles!

O que vimos não foi um trabalho de seleção para um campeonato mundial. Sem planejamento, só com improvisações, mais parecia um pelada. Parreira estava perdido, assim como os jogadores. Nem substituir soube no jogo mais importante. Começou o jogo sem o Adriano, depois tentou melhorar com o Adriano, que nunca esteve bem. Por fim, substituiu outros, quando faltavam apenas onze minutos para terminar. Só ele não percebeu a necessidade há mais tempo.

Foi muita incompetëncia para quem tem muitos anos de janela, de experiëncia. Não pode argumentar com a decantada fatalidade, não merecemos ouvir isso. Incrível mesmo foi ouvir, após a derrota, com aquele desempenho medíocre, que ele não estava preparado para a derrota. Aliás, o Pelé acertou quando pressentiu a vitória da França, claro, depois de comparar o Brasil com as outras equipes. (Desculpem o trocadilho mas... Em terra de cego, quem tem um olho é Rei). É provável que o técnico tenha-se embriagado pela fama, após ter conseguido vários títulos importantes. Estava evidente aquela tranqüilidade exagerada, a falta de empenho, de garra, que se refletia nos comandados. (Quem tem fama, deita na cama)

Enfim, de brocardo em brocardo, vou terminando esta crônica. Tudo indica que o técnico vá se aposentar, pelo menos da seleção, com algumas glórias para si e para o Brasil. Assim podemos concluir que “Ele é uma” Parreira” que já deu cachos" e, na esperança de termos de novo o Felipão ou Luxemburgo, lembremo-nos, como consolo, deste último brocardo: “Há males que vëm para o bem”.

Caleb P. de Barros - da Associação Paulista de Imprensa - n.º 2127