Bagdá - O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al Maliki, afirmou ontem que o fato de o Iraque não poder julgar soldados da coalizão liderada pelos EUA os estimula a cometer crimes. A declaração foi feita quando Maliki pedia uma investigação independente sobre as quatro mortes e o estupro imputados a um ex-soldado americano.
“Acreditamos que a imunidade dada aos membros das forças de coalizão os encoraje a cometer tais crimes a sangue-frio, e isso torna necessário revê-la”, disse, em visita ao Kuwait. Ele quer uma investigação iraquiana independente sobre o caso ou pelo menos conjunta. O major-general William Caldwell, porta-voz do Exército dos EUA em Bagdá, disse que a coalizão analisará seriamente as alegações e a demanda de Maliki, já que ela está ali “como convidada do governo”.
Com um mandato de três anos outorgado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, que expira em dezembro, as forças lideradas pelos EUA não estão sujeitas à lei iraquiana. O ex-soldado suspeito foi indiciado nos EUA na última segunda e está preso. Pelo menos outros quatro militares estão sob investigação.
O caso se une a uma série de crimes imputados a americanos que vieram à tona nos últimos meses. Ontem, um tio da jovem que foi estuprada e morta a tiros disse que não acreditou que soldados dos EUA estivessem envolvidos no crime até esta semana, quando a acusação foi divulgada. O crime ocorreu há quatro meses, em Mahmudiya.
Ahmed Taha disse que culpava insurgentes pelo ataque à família - pai, mãe e duas filhas, uma delas a vítima de estupro. Ontem, pelo menos 23 pessoas morreram em atentados.
O porta-voz do Exército disse esperar um aumento dos carros-bomba devido à recente chegada de Abu Hamza al Muhajer à liderança da Al-Qaeda no país. O terrorista é tido como especialista nesse tipo de ataque.