Berlim - O atacante Del Piero ainda guarda na memória as recordações da última decisão disputada entre Itália e França. No duelo que valeu o título da Eurocopa de 2000, ele perdeu dois gols e saiu da partida dizendo ser o culpado pelo revés.
Na ocasião, os franceses saíram perdendo, empataram aos 49 minutos do segundo tempo e, na prorrogação, celebraram o título com um “gol de ouro” de Trezeguet. “Fiquei muito mal com tudo aquilo”, diz Del Piero.
O fato de ruminar o resultado até hoje não significa, segundo o jogador, que sua equipe está contaminada por um espírito de revanche. “No futebol, às vezes é preciso esquecer o que passou. A final será linda.”
Ao contrário de seu companheiro de seleção, para o zagueiro Marco Materazzi, é o sentimento de vingança que move a Itália na decisão da Copa do Mundo, contra França, às 15h de domingo, em Berlim. “Estávamos a 17 segundos de ser campeões da Europa e todos sabem como esta história terminou. Não tivemos sorte, mas esta será a nossa revanche. Vamos mudar a história”, disse o jogador da Inter de Milão, lembrando da decisão do Campeonato Europeu de 2000.
Além da final da Eurocopa, os franceses também triunfaram nos dois últimos confrontos entre as equipes em Copas do Mundo - eliminaram os rivais em 1986 e 1998. No total, os países somam 32 confrontos. A Itália venceu 17. A França, só sete.
Para conseguir a vingança e chegar ao tetracampeonato mundial, Materazzi aposta na coragem e, até mesmo, na sorte. “A França tem uma equipe excelente, que está acostumada às vitórias. Será duro para nós, mas estamos na final e tudo é possível. Temos que ter coragem e aquela pitada de sorte que é necessária em grandes torneios”, completou.
Del Piero tratou de jogar o favoritismo do último jogo da Copa-2006 para o lado francês. Mas não por serem melhores dentro de campo.
“A França é a favorita porque vem com menos estresse, já que não está passando pelo escândalo e pela tragédia pessoal de um ex-companheiro”, afirmou o atleta da Juventus, referindo-se ao esquema de armação de resultados no Campeonato Italiano, que pode decretar o rebaixamento de Juventus, Milan, Fiorentina e Lazio, e o recente acidente que quase custou a vida de Gianluca Pessotto, ex-jogador da Juventus e colega de vários atletas da “Azzurra”.
Porém, Del Piero ressaltou que “domingo é domingo e tudo pode acontecer”. “Será uma partida com jogadores de altíssimo nível, fantásticos. Em todos os setores do campo, será visto o top do top”.
O atacante de 31 anos, que também usou a palavra “fantástica” para definir o que espera da final. Falou ainda sobre Zinedine Zidane, que foi seu companheiro por algumas temporadas, na Juventus. “É um jogador magnífico, o número um”, resumiu o italiano, dizendo-se feliz pelo francês ter “calado os críticos dentro de campo”.
“Espero apenas que não seja tão magnífico no domingo”, brincou Del Piero, lembrando que mantém “uma intensa amizade” com a maior estrela da França, com quem divide “recordações de grandes aventuras”.
Fazer história
Autor do primeiro gol italiano na semifinal contra a Alemanha, o lateral-esquerdo Fabio Grosso, 29 anos, disse ontem que está a um passo de realizar o seu grande sonho, ser campeão mundial. “A final será uma partida muito difícil e de alto nível. A França está demonstrando que é uma grande equipe e devemos respeitá-la. No entanto, nossa equipe sempre sonhou em ser campeã mundial e, agora, estamos a um passo da história”, afirmou o jogador, que recentemente trocou o Palermo pela Inter de Milão.
Sobre Zidane, que já anunciou que se aposentará após a competição, Grosso disse que o admira muito e que a Itália tem precisa anulá-lo para vencer o adversário. “É um grande jogador e está demonstrando isto pela enésima vez. Apesar das críticas que recebeu, é um jogador que gera muitas dificuldades. Então, devemos nos preparar para tentar evitá-las”, concluiu.
Nesta é desfalque
Fora da Seleção Italiana nas últimas três partidas, o zagueiro Alessandro Nesta, 30 anos, não se recuperará a tempo de disputar a partida decisiva contra a França, anunciou hoje o médico da equipe, Enrico Castellacci.
Nesta sofreu uma lesão na coxa direita no jogo contra a República Checa, válido pela última rodada da primeira fase e do Mundial, e, desde então, vem sendo substituído por Marco Materazzi, da Inter de Milão, ou Andrea Barzagli, do Palermo.
A contusão que tira o zagueiro italiano da final completa a “série de azar” do jogador em Copas, já que ele já havia enfrentado problemas físicos nas duas últimas edições da competição.
Nesta chegou à seleção em 1996. Dois anos depois, deu adeus ao seu primeiro Mundial em partida contra a Áustria, quando rompeu os ligamentos do joelho direito. Na Copa seguinte, sofreu com dores no pé direito e não atuou nas oitavas-de-final, quando os italianos perderam para a Coréia do Sul.
Seus colegas lamentam sua ausência e apostam que o volante Gattuso será fundamental na decisão. “Gattuso é um jogador essencial e vai brilhar na final”, disse Materazzi.