Berlim - Com os jornalistas, ele prossegue calado. Mas, no site oficial da Federação Francesa de Futebol, Zidane falou. E de forma enfática. O meia não quer saber de ninguém pegando carona na sua equipe.
“Seria magnífico ganhar a Copa. Não só para os jogadores mas para todo o nosso estafe e todas as pessoas que nos apoiaram. Mas falo das pessoas que estão com a gente desde o início, e não os que se juntaram à gente durante o caminho”, alfinetou o carrasco de Carlos Alberto Parreira (Brasil) e Luiz Felipe Scolari (Portugal) em gramados alemães.
O meia lembrou que a situação atual é parecida com a de 1998, quando a equipe francesa não empolgou no começo da Copa mas, depois, engrenou e acabou campeã ao bater o Brasil na final no Stade de France.
Zidane disse gostar de momentos de pressão, como o que passou quando se preparava para bater o pênalti que acabou no gol da vitória da França sobre os portugueses. “É uma pressão boa. Pensei comigo: se fizermos ao 1 a 0 e se nos aplicarmos na defesa, estaremos na decisão. Foi a única coisa que pensei”, afirmou o jogador, que, antes do tento de anteontem, somava somente um gol nesta Copa, diante da Espanha, nos 3 a 1 nas oitavas-de-final.
O capitão francês - não tinha esses status no título de 1998 - também lançou típicas palavras de líder aos seus colegas de equipe. “Ganhar o título não vai ser fácil. Vai ser muito, muito difícil. Mas temos as armas, a vontade de ganhar. Seria fantástico ganhar a Copa do Mundo uma vez mais, e somos 23 para conseguir isso.”
Viver e morrer juntos
A frase “Viver e morrer juntos” virou o lema da Seleção Francesa, comandada pelo técnico Raymond Domenech, que no domingo, em Berlim, busca o título mundial na decisão contra a França.
A frase tomou o lugar da música “I will survive”, hit da cantora Gloria Gaynor que embalou o time de 1998, quando os franceses conquistaram seu primeiro - e por enquanto único - título mundial.
“No intervalo (da vitória de 1 a 0 contra Portugal, anteontem), pronunciamos essa frase”, admitiu o meio-campista Florent Malouda. Outro meia, Zidane, também falou da frase, mas com pequenas alterações. “Nosso lema é ‘devemos morrer todos juntos’”, explicou.
“É um pouco da tradução em francês da canção de 1998 (“I will survive”), sobreviveremos. Essa frase vem do objetivo final de todas as batalhas, quando as tribos guerreavam e era viver ou ser comida pelas outras”, completou Domenech.
Segundo o treinador, a frase reflete o momento pelo qual passou a equipe - a França chegou desacreditada ao Mundial e sofreu para chegar às oitavas-de-final. “Acho que o fato de os jogadores terem adotado esta frase é um símbolo do que temos enfrentado”, finalizou o treinador.
Final inesperada
Quando Alemanha e Costa Rica deram início à Copa-06, no dia 9 de junho, em Munique, poucos imaginavam que a partida decisiva da competição seria disputada por Itália e França. Esta é a opinião do volante francês Patrick Vieira, que destacou o fato como a “surpresa do Mundial”.
“Com relação ao que vive o futebol italiano neste momento (o escândalo dos resultados arranjados), é algo bom que a seleção chegue à final. Para eles, também é uma final inesperada porque (assim como os franceses) não pensavam chegar até aqui. Alemanha e Itália será uma grande partida”, afirmou ontem o jogador.
Um dos destaques franceses no torneio, Vieira destacou ainda a dificuldade encontrada por sua equipe para derrotar Portugal por 1 a 0, na quarta-feira, e alcançar a sua segunda decisão de Copa.
“Foi realmente muito difícil. Comparando com as partidas anteriores diante de Portugal, a equipe deles nos deu muitos problemas. Jogaram muito bem, mas creio que tivemos uma grande atuação defensiva”, completou, lembrando ainda da evolução do time francês durante a competição.
“Melhoramos dentro de campo, mas também fora dele, sobretudo na relação entre os jogadores. (Hoje) há muita comunicação (entre os atletas)”, garantiu.
Após um começo decepcionante - empatou com Suíça e Coréia do Sul nas duas primeiras rodadas -, o time francês já acumula quatro vitórias consecutivas e enfrenta a Itália, no domingo, em Munique, para tentar o bicampeonato mundial.