09 de julho de 2026
Internacional

Israel mata mais 7 em Gaza e número de mortos chega a 32

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Gaza - Em mais um dia de confrontos entre o Exército de Israel e milícias no Norte da Faixa de Gaza, ao menos sete pessoas foram mortas ontem, entre elas um garoto de 11 anos, elevando para 32 o número de palestinos mortos desde o início da ofensiva. A União Européia acusou o governo israelense de uso desproporcional da força. Avi Dichter, ministro da Segurança Pública, cogitou a possibilidade de Israel soltar prisioneiros palestinos como “gesto de boa vontade” em troca da libertação do soldado Gilad Shalit, 19 anos, seqüestrado no dia 25 de julho.

A ação foi reivindicada por três grupos, que exigiram a soltura de cerca de mil detidos em prisões israelenses, incluindo todas as mulheres e os menores de idade. “Israel precisará, após algum tempo, libertar prisioneiros como um gesto recíproco”, declarou Dichter .

Mas o ministro do Interior, Roni Bar-On, deu uma entrevista à TV israelense em que rejeitou qualquer tipo de negociação. Bar-On acrescentou que havia acabado de conversar com o premiê de Israel, Ehud Olmert. Internamente, militares israelenses consideram a troca de prisioneiros por Shalit. O Hamas também disse que não existem negociações. “Não há conversas sobre o soldado desaparecido e sim sobre 30 mártires palestino”, afirmou Mushir al Masri, parlamentar palestino do braço político do grupo terrorista Hamas.

Ontem, a organização, que reivindicou o seqüestro, afirmou que o soldado está em boas condições: “Ele está sendo bem-tratado, humanitariamente, de acordo com as ordens de nossa religião. (...) Enfatizamos que as negociações são o único jeito de resolver esse caso”.

A escalada de violência prosseguia ontem na cidade de Beit Lahiya, no Norte da Faixa de Gaza, onde o garoto Anwar Attallah, 11 anos, morreu com um tiro no peito após uma incursão israelense. Médicos locais disseram que havia civis entre os sete mortos nos confrontos de ontem. Também foi morto um membro das Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, grupo terrorista ligada ao Fatah, o partido do presidente palestino, Mahmoud Abbas.

Três pessoas ficaram levemente feridas em Sderot após os lançamentos de foguetes Qassam. A cidade está próxima a Ashkelon que tem 115 mil habitantes e foi primeiro centro de porte significativo a ser atingido pelos mísseis.

Israel alega que retomou o controle de parte do Norte de Gaza, depois de haver deixado a região no ano passado após 38 anos de ocupação, para deter os lançamentos. Mediadores egípcios propuseram um acordo em duas etapas no qual o Hamas libertaria Shalit e interromperia os disparos de foguetes. Em troca, haveria o fim da ofensiva israelense e, no futuro, prisioneiros palestinos seriam soltos.

Um integrante do governo palestino disse que Israel concordou com a fórmula, mas deseja que o acordo seja fechado confidencialmente, para que não dê a impressão de uma troca direta de prisioneiros. Mas a organização, segundo esse mesmo funcionário, quer que os termos sejam anunciados publicamente.

Condenação

Em declaração lida pelo primeiro-ministro da Finlândia, que tem a Presidência de turno da União Européia, o bloco condenou Israel pela primeira vez desde o início da ofensiva. “A UE condena a perda de vidas causada pelo uso desproporcional da força do Exército de Israel e pela crise humanitária agravada”, dizia o texto.

O presidente do Irã, o extremista Mahmoud Ahmadinejad, advertiu ontem que a ofensiva israelense poderá causar uma “explosão” no mundo muçulmano. Ahmadinejad, que já questionou o Holocausto e defendeu o fim de Israel, fez o alerta durante uma manifestação em apoio aos palestinos realizada em Teerã.