Brasília - O governo deverá manter dois técnicos na diretoria dos Correios, ao menos por enquanto, segundo informou ontem o ministro das Comunicações, Hélio Costa. Segundo ele, permanecerão nos cargos os responsáveis pela diretoria Econômico-Financeira, José Osvaldo Fontoura Carvalho Sobrinho, e pela diretoria Administrativa, Marcos Gomes da Silva, que são funcionários dos Correios, e ocupam os cargos interinamente desde junho do ano passado.
O PMDB ainda deverá indicar mais um diretor para a estatal, além dos quatro nomes (do presidente e de três diretores) publicados anteontem no "Diário Oficial" da União.
Costa afirmou que mais um diretor será nomeado, mas não disse quando. Na avaliação do ministro, as indicações são pertinentes agora porque a crise política que significou o pior escândalo de corrupção do governo envolvendo a estatal seria um “capítulo encerrado”.
“Eu sempre advoguei que, enquanto nós tivéssemos em andamento a CPI dos Correios e qualquer questionamento com relação à empresa, nós deveríamos seguir rigorosamente o caminho de aproveitar o corpo técnico que tinha assumido a presidência e diretoria da empresa para nós respondermos a todas as críticas, atendermos a todas as solicitações. Na medida em que isso está passado, é um capítulo encerrado, nós podemos evidentemente partir para a indicação de uma diretoria definitiva”, afirmou.
Berzoini
O presidente nacional do PT, deputado federal Ricardo Berzoini (SP), disse ontem que não houve erro do governo ao distribuir cargos da direção dos Correios ao PMDB, mas sim uma composição política natural. “Não existe erro nessa mudança, existe a composição política natural. O critério é competência, indicação política é subsidiária. Não há qualquer possibilidade de indicar uma pessoa que não tenha capacidade de exercer o cargo”, declarou Berzoini.
Segundo o líder petista, havia uma necessidade de substituição da direção dos Correios desde o ano passado, mas admitiu que a decisão de mudar agora tem aspectos políticos. “Obviamente, (a mudança) tem aspectos políticos, mas também tem a necessidade de nomear uma direção de maneira definitiva até o fim do mandato”, comentou.
Berzoini fez questão de ressaltar que a distribuição de cargos ao PMDB não foi facilitou o acerto com o partido nos Estados para apoiar a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição.